Saúde amplia faixa etária para vacinação gratuita contra
hepatite B a partir de 2011
Compra de vacinas aumenta em 163%, já que imunização
passará a englobar jovens adultos de 20 a 24 anos no próximo ano e de 25 a 29
anos até 2012
Uma série de medidas para reduzir as hepatites virais no país foi
apresentada nesta quarta-feira (28), o Dia Mundial do Combate a Hepatites
Virais, em Brasília. Em 2011, o Ministério da Saúde vai ampliar em 163% o
quantitativo de vacinas compradas para a hepatite B. Se hoje a faixa etária que
recebe a vacina vai de zero a 19 anos, com a mudança, jovens e adultos de 20 a
24 anos também poderão se imunizar a partir do próximo ano. E na faixa dos 25 a
29 anos, a partir de 2012.
Para aumentar a oferta de vacinas, nesta primeira etapa serão adquiridas 54
milhões de doses a mais para hepatite B, do que no ano anterior. O quantitativo
perfaz um total de 87 milhões de doses a serem utilizadas em 2011.
Para redução da transmissão vertical do vírus da hepatite B, até 2011
também será intensificada a oferta de triagem sorológica a todas as gestantes
que fazem o pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS) e todos os recém-nascidos
de mães portadoras da doença receberão profilaxia – vacina e
imunoglobulinas.
“Esta data é um momento de mobilização, reflexão, disseminação de
informação entre a sociedade, pesquisadores, profissionais de saúde que lidam
com esta questão, e do Estado, evidentemente. Os números de casos confirmados de
hepatites no Brasil apontam a necessidade de que intensifiquemos ações”,
ressaltou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, presente no evento. “E o
governo federal vem investindo. No ano passado, o Sistema Único de Saúde
realizou mais de 9 milhões de testes para hepatites virais”.
Com o intuito de fortalecer a sociedade civil organizada em relação às
hepatites virais, o Ministério, em parceria com a Unesco, também lançou um
edital para a realização de ações de enfrentamento das hepatites. A medida visa
melhorar a articulação do setor com os serviços do SUS, estimular o diagnóstico
precoce e promover mobilizações comunitárias.
O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais apresentou, pela primeira
vez, um documento com os principais números das hepatites virais no país. As
medidas anunciadas marcaram o dia de luta contra as hepatites, conforme
resolução apresentada pelo Brasil na Assembleia da Organização Mundial de Saúde
(OMS), em maio de 2010.
NÚMEROS ATUALIZADOS – No país, dados do Ministério da
Saúde revelam que de 1999 a 2009 o total de casos confirmados de hepatite B é
96.044. Mais de 50% dos casos se concentram entre indivíduos de 20 e 39 anos e
cerca de 90% são agudos.
“Neste terceiro trimestre de 2010, 8 mil pacientes estarão em tratamento
pelo SUS para hepatite B e 10 mil para hepatite C”, afirmou o ministro. “Já
neste ano, o Ministério da Saúde estará investindo apenas em medicamentos para o
tratamento das hepatites B e C um total R$ 234 milhões”.
A vacina para hepatite B passou a ser oferecida pelo SUS, a partir da
década de 1990. A vacinação começou no Norte do país e o quantitativo oferecido
foi aumentando gradativamente, conforme levantamento de áreas endêmicas e
populações mais vulneráveis. Ela é oferecida em três doses, tanto para criança,
quanto para adolescentes. Uma vez imunizado contra hepatite B, o paciente também
está protegido de ser infectado pelo vírus D.
A transmissão da hepatite B se dá principalmente por meio de relações
sexuais, acidentes com instrumentos contaminados por sangue ou pela gravidez,
quando a mãe está infectada.
Em relação à hepatite C, o total de casos confirmados de 1999 a 2009 é de
60.908. Muitas vezes o paciente descobre quando vai doar sangue. Em geral, são
pessoas que fizeram transfusão até a década de 80 ou indivíduos que
compartilharam seringas.
A hepatite C pode ser uma doença silenciosa porque os sintomas surgem
depois de muito tempo que o vírus se instalou no organismo. Em geral, a maioria
dos casos da hepatite C é descoberta acima dos 30 anos. Os dados alertam para a
importância do diagnóstico precoce, pois, quanto mais tarde, maiores são as
consequências. Cerca de 70% das hepatites C cronificam.
PERFIL REGIONAL – As maiores taxas de detecção da hepatite
B, no período de 1999 a 2009, são observadas nas regiões Sul, Centro-Oeste e
Norte. E, no caso da hepatite C, as maiores taxas de detecção estão na região
Sudeste e Sul.
Dados do Ministério da Saúde demonstram que a quantidade de exames
oferecidos quase triplicaram nos últimos cinco anos. Em 2009, foram feitos 9,22
milhões de unidades para diagnósticos de todas as hepatites. Em 2004, haviam
sido 3,59 milhões de testes. O Brasil oferece diversos tipos de exames para o
indivíduo que suspeita ter a doença. Para isso, basta ir a uma Unidade de Saúde
ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).
HEPATITE A – A hepatite A atingiu cerca de 124.687
indivíduos, entre 1999 e 2009, sendo a maioria homens. Mais de 50% dos casos
confirmados estão na região Norte e Nordeste. Com o perfil diferente, ela é mais
frequente entre crianças abaixo de 5 anos e sua transmissão está ligada à água,
alimentos e mãos contaminadas.
Na maioria dos casos de hepatite A, o indivíduo recupera-se totalmente,
eliminando o vírus do organismo. A insuficiência hepática aguda grave ocorre em
menos de 1% dos casos.
MEDICAMENTOS
- Desde 2005, quando se iniciou o processo de centralização de compras, já
foram investidos quase R$ 800 milhões.
- O gasto médio com medicamento da hepatite C pode variar de R$ 1.562,00 a
R$ 18.441,00 por tratamento/paciente e o da hepatite B varia entre R$ 1.890,00 a
R$ 5.859,00 por tratamento/paciente.
- Em 2009, um novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o
tratamento da hepatite crônica B e coinfecções incluiu novos medicamentos, o
tenofovir, o entecavir e o adefovir, que junto com o interferon e a ribavirina
passaram a ser disponibilizado pelo Ministério da Saúde.
- Em 2010, foram comprados, mais de 890 mil frascos de medicamentos para
as hepatites B e C, perfazendo um total de cerca de R$ 234 milhões.
- No momento, o protocolo clínico da hepatite C está em revisão.
Obs.: Como no tipo A a doença remite naturalmente, não houve gastos com
medicamentos específicos.
Testes realizados para diagnóstico das Hepatites
Virais
|
Tipos de
Hepatites Virais
|
2004
|
2009
|
|
Hepatite
A
|
288.267
mil
|
488.818
mil
|
|
Hepatite
B
|
1,97
milhões
|
7,22
milhões
|
|
Hepatite
B
|
1,33
milhões
|
1,47milhões
|
|
Hepatite
D
|
697
|
38.124
mil
|
|
Total
|
3,59
milhões
|
9,22
milhões
|
Agência Saúde
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