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PT já disputa lugar na chapa de José Alencar em Minas



Apontado nos últimos dias como o candidato a governador que unificaria a base de sustentação do presidente Lula em Minas Gerais, o vice-presidente José Alencar (PRB) recebe na noite de hoje em Belo Horizonte o título de "militante honorário" do PT, mas já assiste a uma disputa de bastidores entre petistas pela cadeira de vice em uma eventual chapa. Escalado por Lula para tentar resolver o impasse entre os grupos do ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, em aberta concorrência pela candidatura ao governo do Estado, Alencar, 78, afirmou a integrantes das duas alas que pode aceitar ser a "solução de consenso", mas fez uma ressalva e estabeleceu uma condição.


A ressalva é se a sua saúde permitirá --ele luta contra um câncer na região abdominal, que tem regredido, e disse que vai esperar a confirmação dos exames de março para se comprometer definitivamente.


A condição, dita a aliados de Patrus e Pimentel, e a interlocutores em Brasília, é a de que só se lançaria em um palanque livre de divergências entre PMDB e PT e, principalmente, do constrangimento que uma disputa por sua vice causaria.


Não é o que se tem observado até agora. Aliados de Patrus estiveram com Alencar em Brasília, na quinta-feira, e saíram do encontro falando que o vice prefere o ministro na chapa.


Segundo eles, Alencar argumentou que Patrus lhe daria uma imensa tranquilidade, porque teve uma prefeitura bem avaliada em Belo Horizonte (1993-1996), além de ser ministro do governo Lula desde 2004. Patrus reuniu aliados em Minas, no sábado, e o discurso foi o mesmo: abre mão para Alencar, mas se for o vice.


Já Fernando Pimentel, que governou Belo Horizonte de 2003 a 2008, declarou em entrevista a um blog de apoiadores que, caso Alencar seja o candidato, ele iria então participar da coordenação da campanha à Presidência de Dilma Rousseff (Casa Civil) e não disputaria cargo nas eleições de outubro.


Mas aliados disseram à Folha que ele é o nome mais indicado para a dobradinha com Alencar, já que venceu uma renhida disputa contra Patrus pelo comando do PT no Estado.


Nos microfones, entretanto, o discurso é de unidade: "A pré-candidatura de Alencar já nasce com a unidade da base", afirmou o deputado federal Miguel Corrêa (PT-MG), aliado de Pimentel. "É um erro submeter o Alencar ao constrangimento de assistir a uma guerra. Apresentamos uma lista tríplice, e ele escolhe", disse o ex-deputado estadual Rogério Correia, da ala pró-Patrus.


Além da disputa de bastidores no PT, interlocutores do vice-presidente que se mostram reticentes com a "solução de consenso" lembram o PMDB: hoje líder nas pesquisas em Minas, o ministro Hélio Costa (PMDB) já falou que abre mão da disputa em favor de Alencar, mas não deu sinais claros se se contenta em sair ao Senado.



RANIER BRAGON
SIMONE IGLESIAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
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Segunda-feira 08/02/2010

Política






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