Robinho avisou quando encontrou o superintendente são-paulino Marco Aurélio Cunha ao chegar à Arena Barueri: "Se eu entrar vocês vão ter problemas". E ele tinha razão. Ao sair do banco na etapa final do clássico paulista, o Rei das Pedaladas marcou um golaço de letra e deu a vitória ao Santos por 2 a 1 sobre o São Paulo, na tarde deste domingo. O resultado recolocou o Peixe na liderança do Campeonato Paulista.
Mas a obra de arte do craque repatriado, que estreou após voltar
do futebol inglês, não será o único assunto entre os torcedores
na segunda-feira. O gol de Neymar, batendo pênalti com um
verdadeiro 'paradão' no primeiro tempo, criou polêmica
dentro e fora de campo. Ceni desceu para o intervalo revelando
que conversou com o jovem santista após a cobrança: 'Falei
para ele aproveitar, porque só no Brasil pode fazer uma
cobrança assim'. Na internet, Kaká
disse a mesma coisa, mas via twitter. Ah, sim: Roger fez
o gol do Tricolor, que permanece com 11 pontos, mas cai para a
sétima posição, a três pontos do G-4, ocupado por Peixe,
Botafogo-SP, Corinthians e Ponte Preta.
Os dois times voltarão a campo no próximo fim de semana pelo
estadual. No sábado de carnaval, o Tricolor irá até Itu para
enfrentar o Ituano. No dia seguinte, o Peixe receberá a visita
do Monte Azul, no estádio do Pacaembu.
O primeiro tempo
As duas equipes entraram em campo com suas escalações previstas. No Tricolor, Ricardo Gomes manteve o 3-5-2 e apostou na movimentação que havia dado certo na vitória contra o São Caetano, com Dagoberto e Marcelinho Paraíba atuando sem posição fixa e Hernanes chegando pelo meio, com Washington fixo na frente. Do lado santista, Dorival Júnior manteve Robinho no banco e apostou na troca rápida de passes e na boa fase do trio Neymar, Paulo Henrique Ganso e André.
Apesar do forte calor, a partida começou em alta
velocidade. Aos dois minutos, Marcelinho avançou pela esquerda e
bateu rasteiro. Felipe defendeu. O Santos respondeu aos quatro
e, só não abriu o marcador porque Léo, após passe açucarado de
Neymar, foi travado por Jean no momento do chute.
Aos 12, foi a vez do São Paulo assustar novamente.
Hernanes fez grande jogada pela esquerda, passou por dois
marcadores, e tocou na medida para Marcelinho que, de fora da
área, chutou fraco, permitindo fácil defesa do goleiro santista.
No minuto seguinte, novamente o Santos apertou e Marquinhos, em
chute rasteiro, assustou Ceni.
A partir dos 15, a partida mudou de figura. O
Santos apertou a marcação em cima de Marcelinho Paraíba, que
sumiu do jogo. Com isso, o único atleta a tentar algo de
diferente era Dagoberto, que estava muito bem vigiado. Como os
alas Jean e Jorge Wagner não apoiavam, o time tornou-se
previsível e o Santos cresceu muito de rendimento.
Aos 15, André perdeu um gol inacreditável. Paulo
Henrique Ganso avançou pela esquerda e bateu rasteiro para a
área. O camisa 16, sozinho na pequena área, fez o mais difícil e
bateu à esquerda de Rogério Ceni. No meio, ora Arouca, ora
Marquinhos, tinham liberdade para avançar. Neymar, caçado em
campo por Renato Silva, pouco produzia.
O tempo passou e o jogo não mudou. O São Paulo
tentava ir ao ataque, mas não criava nada de perigo. E o Santos,
que sempre chegava com a bola no chão, continuava bem mais perto
do gol do primeiro gol da partida. Que veio aos 38min, com toda justiça.
No minuto anterior, Arouca foi lançado nas costas de Miranda que,
perdeu a passada e acertou o camisa 9 santista que, curiosamente
pertence ao Tricolor. Ele, no entanto, foi cedido por empréstimo
na negociação que levou Rodrigo Souto ao Morumbi. Pênalti bem
marcado pelo juiz Marcelo Rogério. Na cobrança, o garoto Neymar
não tremeu diante do badalado Rogério Ceni. Pior: fez o camisa 1
sentar no chão. Com paradinha e tudo, o camisa 17 só rolou a
bola para o gol.
O gol fez mal ao Tricolor, que quase tomou o
segundo aos 43, quando Wesley avançou pela direita e bateu no
ângulo de Rogério Ceni, que voou e espalmou. O São Paulo, que há
muito não levava perigo ao gol de Felipe, assustou aos 46,
quando Hernanes cruzou da direita e Washington não alcançou a bola.
Etapa complementar
Os dois times voltaram sem alterações para o segundo tempo. Só que o São Paulo mudou seu esquema tático. Ele trocou o 3-5-2 para o 4-4-2. Com duas linhas de quatro, Jean saiu da ala e foi para o meio-campo com uma única incumbência: não deixar Paulo Henrique Ganso respirar. E a estratégia deu certo.
O São Paulo melhorou sua marcação e cresceu em campo. Dorival
Júnior, vendo que seu time diminuiu o ritmo, fez o que todos
queriam e, aos 13, Robinho reestreava com a camisa do Peixe, na
vaga de André. No Tricolor, Ricardo Gomes respondeu com Cléber
Santana no lugar de Washington.
O Tricolor continuou melhor em campo. Aos 16, a equipe quase
empatou com Jean, que recebeu passe de Jorge Wagner e, dentro da
área, chutou duas vezes. Na primeira, foi travado por Durval. Na
segunda, a bola raspou a trave direita de Felipe. Logo depois,
Ricardo Gomes foi obrigado a fazer a segunda alteração, já que
Dagoberto sentiu contusão. Roger entrou no seu lugar. E, no
primeiro lance, o camisa 19 aproveitou belo cruzamento de
Marcelinho Paraíba e, de cabeça, deixou tudo igual no marcador.
Dorival Júnior respondeu logo em seguida. Ele sacou Marquinhos e
colocou Zé Eduardo para dar novo gás ao time. E Robinho, em seu
primeiro ataque perigoso, aos 30, quase marcou. Ele avançou pela
direita e, dentro da área, bateu cruzado. Rogério Ceni fez
grande defesa e mandou pela linha de fundo. O Tricolor
respondeu em cobrança de falta de Marcelinho Paraíba, que Felipe espalmou.
Nos 15 minutos finais, sobrou emoção. O São Paulo tomava a
iniciativa e martela e o Peixe, com mais qualidade com a bola
nos pés, era muito perigoso nos contra-ataques. Até que, aos 40,
Wesley escapou pela direita e cruzou na medida para Robinho que,
a pouquíssimos metros de Rogério Ceni, se antecipou e, de letra,
fez um golaço. Depois, foi só segurar a posse de bola e comemorar.
Focando a Notícia












