CNT: rebeldes não têm informações sobre paradeiro de Kadafi

Publicado em sábado, agosto 27, 2011 ·

kadafRebeldes líbios não têm informações concretas sobre a localização de Muammar Kadafi ou de seus filhos, afirmou Mustafa Abdel-Jalil, presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), em entrevista coletiva neste sábado em Benghazi, reduto dos rebeldes no leste do país.

Combatentes rebeldes que assumiram o controle da capital líbia esta semana dizem que Kadafi e seus filhos estão escondidos e ofereceram uma recompensa de US$ 1,3 milhão e garantias contra processos legais para qualquer um que capturar ou matar o ex-líder líbio.

A agência estatal de notícias do Egito disparou nova rodada de especulações sobre o paradeiro de Kadafi quando divulgou que uma fonte rebelde líbia afirmou que um comboio de seis Mercedes-Benz blindadas cruzou da Líbia para a Argélia. O comboio, segundo a agência, poderia estar transportando Kadafi.

Autoridades rebeldes e combatentes afirmaram em várias ocasiões que sabiam onde Kadafi estava e que estavam monitorando o ex-comandante do país, mas essas afirmações acabaram se provando erradas. “Não temos informação factual sobre o paradeiro de Kadafi e de seus filhos”, disse Abdel-Jalil.

Em comentários a jornalistas, ele afirmou que o conselho pode considerar convidar autoridades policiais de estados árabes ou muçulmanos para ajudar na segurança da Líbia, mas que não queria a presença de forças policiais estrangeiras no país.

Ele afirmou ainda que qualquer um que tenha trabalhado em uma posição sênior para Kadafi e que não tenha aderido à causa rebelde até agora “não terá permissão para ter um lugar no futuro da Líbia, politicamente falando”.

Comandantes rebeldes ainda negociam com forças leais a Kadafi para tentar persuadi-las a entregar o controle de Sirte, cidade-natal de Kadafi situada a cerca de 500 km de Trípoli, disse Abdel-Jalil.

Ajuda urgente
Mustafa Abdel-Jalil também fez neste sábado um apelo de ajuda humanitária urgente para Trípoli. “Fazemos um pedido a todas as organizações humanitárias para dizer que Trípoli necessita de medicamentos, produtos de primeira necessidade e material de cirurgia, assim como alimentos básicos”, disse Abdel-Jalil.

Jalil denunciou a falta de alimentos de primeira necessidade na capital e disse que os cortes de água e energia elétrica são motivados por atos de sabotagem de forças leais a Kadhafi.

Ao mesmo tempo, o líder rebelde prometeu julgamentos justos para pessoas ligadas ao regime de Muamar Kadafi. “Pedimos a Muamar Kadafi e seus assessores que se rendam, para protegê-los e evitar uma execução sumária. Garantiremos julgamentos justos, qualquer que seja sua posição”, declarou Abdel-Jalil.

Ao ser questionado sobre a instância de julgamento, Abdel-Jalil afirmou que a justiça líbia é “a principal”, enquanto o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia é uma “justiça complementar”.

O líder do CNT também disse temer uma falta de liquidez dos bancos.

“Faço um apelo nacional a todos os empresários: devem repatriar seus capitais aos bancos líbios, particularmente pela proximidade da festa de Aid el-Fitr”, que marca o fim do Ramadã na próxima semana, pediu. Também anunciou que novos membros do CNT viajaram para Trípoli.

No campo de batalha, o diretor da rebelião afirmou que as negociações prosseguem para obter uma entrada pacífica das forças insurgentes na cidade costeira de Sirte, 450 km ao leste de Trípoli e cidade natal de Kadafi.

Uma semana depois da ofensiva vitoriosa sobre Trípoli, a vida começa a voltar ao normal na capital líbia. Algumas lojas abriram as portas neste sábado.

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de julho, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.

Reuters

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