dados foram divulgados

Cerca de 80% dos acidentes de CG envolveram motos em 2019

Publicado em sexta-feira, fevereiro 7, 2020 ·

Quase 80% dos acidentes de trânsito registrados em Campina Grande no ano de 2019 envolveram motos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (7) pela Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP).

Os números apontam que o ano fechou com 2.573 acidentes ocorridos em 2019, sendo 2.047 com o envolvimento de motocicletas, o que corresponde a 79,5%. Desse número, em 1.631 casos eram homens quem pilotavam os veículos, um total de 79,7% das ocorrências.

Dentre os homens, aqueles com idades entre 21 e 29 anos somam 40% dos casos, que são mais comuns nas sextas-feiras entre 18h e 21h. Os cinco corredores da cidade com maior incidência de acidentes com motos são Alça Sudoeste, avenidas Floriano Peixoto, Almirante Barroso, Assis Chateubriand e Almeida Barreto.

O Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, que integra a rede hospitalar do Governo do Estado, prestou no mês de janeiro 8.240 atendimentos no setor de emergência e realizou 769 cirurgias.

Desse total de janeiro, foram registrados 692 atendimentos a vítimas em acidentes de motos, o que corresponde a 8,4%. Em 2019, no mesmo período foram realizadas 744 cirurgias e atendidas 8.294 pessoas sendo registrados 757 atendimentos a vítimas em acidentes de motos.

Alerta

O superintendente da STTP, Félix Neto, orienta que os condutores de moto devem utilizar os equipamentos de segurança, respeitar limites de velocidade, fazer cursos para pilotar os veículos e manter a consciência sobre as leis de trânsito para evitar imprudência.

Casos com motos em outras cidades

Em João Pessoa, acidentes com motos são a segunda maior causa de atendimentos no Hospital de Trauma da Capital, perdendo apenas para quedas. Em janeiro deste ano, 96 dos 581 atendimentos foram provenientes de acidentes com motos, um total de 16,5%.

Em Patos, no Sertão do estado, dos 305 casos registrados em janeiro deste ano no Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro, 268 envolveram acidentes com motos, o que corresponde a 87,86%.

Brasil

O percentual de mortes de motociclistas em acidentes de trânsito no Brasil subiu de 8,3% em 2000 para 24,8% em 2008, ano da implantação da Lei Seca, e continuou subindo, mais lentamente, até 33,4% em 2017, segundo o Boletim Proadess (Projeto de Avaliação de Desempenho do Sistema de Saúde), elaborado pelo Laboratório de Informação em Saúde (ICICT) da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dados são os mais recentes sobre essas informações, divulgados em outubro de 2019.

Segundo o levantamento, as regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores taxas de mortes em acidentes em 2017, 44,5% e 43,4%, respectivamente.  Em 2000, esses índices alcançavam 13,6% e 12,1% em cada região.

O médico Josué Laguardia, pesquisador do ICICT e responsável pelo estudo, disse na época em que a pesquisa foi divulgada que vários fatores influenciam em um maior risco de morte em acidentes com motocicletas. São veículos que apresentam menor proteção para o motorista e o passageiro, do que um veículo automotor, como carro, caminhão ou ônibus, “que oferecem mais proteção do que uma moto, na qual o motorista tem maior exposição”. Segundo Laguardia, isso piora se ele não está usando capacete, luvas, botas, jaqueta adequada. “Tudo isso pode agravar o risco de um acidente ser fatal”, disse.

Laguardia acrescentou que uma via em que falta sinalização coloca em risco tanto motoristas como pedestres. A questão da velocidade e da qualidade da infraestrutura também influenciam em termos de maior risco de acidente e de lesão grave ou óbito. “É um conjunto de fatores que, inter-relacionados, pode aumentar o risco de acidente. E, no caso do motociclista, esse acidente pode ser mais grave por ele estar menos protegido. Assim como ocorre com o pedestre também”.

Gastos do SUS

A elevação da taxa de mortes em acidentes com motociclistas repercute também em termos de aumento de gastos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Josué Laguardia disse que além de ter profissionais para assistência no local do acidente e para fazer o atendimento adequado às vítimas no estabelecimento hospitalar, bem como no período de internação, os acidentados exigem muitas vezes uma equipe de profissionais para fazer sua reabilitação.

“A maior gravidade das lesões vai demandar tempo de internação, cirurgias ortopédicas com colocação de órteses ou próteses, a questão da reabilitação. Tudo isso vai demandar recursos muitas vezes públicos para esses acidentados”.

O Boletim Proadess revela que dos R$ 260 milhões gastos pelo SUS em 2017 com internações por acidentes de trânsito, em torno de 63% foram destinados a motociclistas. O percentual mais elevado está no Nordeste (75,8%) e o menor na Região Sul (50,4%). Os motociclistas representavam 40% das pessoas internadas por acidentes em 2008 e passaram a representar mais de 50% em 2017. Laguardia disse que esses gastos excluem atendimento pré internação e pós-internação.

 

 Agência Brasil

 

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