Centrais querem punição para empresas que demitirem acima da média do setor

Publicado em quarta-feira, setembro 19, 2012 ·

Sindicalistas apresentaram propostas de combate à rotatividade no mercado de trabalho

As seis maiores centrais sindicais do país lançaram nessa terça (18) campanha de combate à rotatividade no mercado de trabalho brasileiro, que segundo o Dieese chegou a 53,8% em 2010. Eles também contestam proposta do governo de mudança de regras para pagamento de benefícios como o seguro-desemprego e o abono salarial. “Retirada de direitos não foi eficaz em nenhum lugar do mundo. Queremos discutir alternativas com o governo”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, acrescentando que as centrais já pediram audiência com a presidenta Dilma Rousseff.

Para o cutista, alguns empresários usam a rotatividade apenas para diminuir custos. “Por isso, é preciso proteger o emprego e punir quem demite mais do que a média histórica do setor”, defendeu. Segundo ele, “é barato demitir no Brasil”.

No documento divulgado pelas centrais (além da CUT, assinam o texto CGTB, CTB, Força Sindical, NCST e UGT), as entidades afirmam que enfrentar a rotatividade “é o maior desafio da política pública voltada para o trabalho”. Mesmo descontados fatores como desligamentos decorrentes de transferência ou a pedido do trabalho, aposentadorias e mortes, as taxas seguem elevadas: 37,5% em 2008, 36% em 2009 e 37,3% em 2010. As consequências, sustentam, são instabilidade para o trabalhador, rebaixamento salarial e dificuldade de aprimoramento profissional, além de maior demanda de seguro-desemprego e do FGTS.

A situação se agrava quando a análise é feito por setor. Segundo o Dieese, na construção civil a taxa supera os 100% (108%, ou 86% descontados os fatores citados anteriormente) e na agricultura atinge 98% (74%). Chega a 58% no comércio (42%), 54% nos serviços (34%) e 50% na indústria de transformação (37%). Também mostra concentração: em 2010, apenas 126 mil estabelecimentos (5,8% do total) foram responsáveis por 14,4 milhões (63%) das demissões.

Entre as propostas apresentadas e que serão levadas ao governo, estão a criação de um programa nacional de estabilização e manutenção do emprego, que seria financiado por repasse do adicional de 10% na multa sobre o saldo do FGTS (inspirado em uma experiência alemã) e o incentivo à organização no local de trabalho, o estímulo à redução das taxas de rotatividade. Também poderia ser criada uma taxa imposta a empresas com rotatividade acima da média do setor. As centrais também defendem a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio da qual as empresas teriam de comunicar com a antecedência tanto trabalho como sindicato e justificar as razões da demissão.

Fonte: Rede Brasil Atual
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