Carnaval: os bonecões da alegria popular

Publicado em sábado, Fevereiro 18, 2012 ·

Contra o comercialismo dos grandes desfiles, os bonecões que marcam o carnaval de Olinda e inúmeras cidades brasileiras mantêm o espírito do carnaval popular, onde a marca é a alegria e não a competição.

Por José Carlos Ruy (*)

bonecões em Olindabonecões em Olinda


Este ano, o desfile de bonecões de carnaval de Salto (SP) vai homenagear o craque santista Neymar. Faz parte da tradição: a cada ano o desfile incorpora um boneco novo, de uma personalidade que se destacou no ano. Lá estão personalidades do carnaval local, como o Chicão (o Rei Momo desde 1989).

Os bonecões surgiram em Salto na década de 1960. Sumiram por algum tempo, mas voltaram em 2005 e hoje são mais de vinte bonecos. A tradição nasceu entre os moradores do bairro da Barra, na beira do rio Tietê, e homenageiam personalidades como Dilma Rousseff, Lula, Obama, o cantor Michael Jackson, a atriz Dercy Gonçalves, o cineasta Anselmo Duarte (nascido na cidade), além de figuras folclóricas e populares na cidade.

O mais famoso carnaval com o desfile de bonecões é, sem dúvida, o de Olinda (PE). Mas esta é uma tradição que, diz o folclorista Câmara Cascudo, nasceu há mais de cem anos no interior de São Paulo, em São Luiz do Paraitinga, a partir do bumba-meu-boi. De lá, espalharam-se pelo interior do Estado. Em Porto Ferreira, envolve uma competição entre blocos de bois.

Em Iguape, os bonecos desfilam junto com os zés-pereiras, uma brincadeira tradicional que envolve grande quantidade de bumbos e pratos numa batida conhecida: “bum, bum, bum, Zé-pereira”, explicou o presidente da Comissão Paulista de Folclore, Toninho Macedo para a Agência Brasil. Em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, os bonecões são chamados de Pereirões, outra referência aos zés-pereiras que os acompanham no desfile.

Já mereceram inclusive estudo acadêmico: o artista plástico Edson Antonio Gonçalves defendeu, em 2011, na Unicamp, a tese “Os bonecões no carnaval de Atibaia: uma experiência em arte-educação”, cujo tema era essa tradição na cidade paulista em que seu autor cresceu; ele descobriu referências ao desfile de bonecões em Atibaia já em 1915. Hoje, a cidade tem mais de 100 deles.

Os bonecos têm cerca de quatro metros de altura e são confeccionados tradicionalmente com uma armação de taquara ou bambu, revestida com várias camadas de papel e coladas. São secos ao sol e seus rostos modelados com barro (em alguns lugares, como em Salto, com papel machê), depois pintados; finalmente vêm as roupas coloridas “Alguns artesãos são cuidadosos e dão uma camada de verniz semifosco para não desmanchar o boneco em caso de chuva”, explicou Toninho Macedo. Para ele, o carnaval dos bonecos é semelhante ao futebol de várzea, se comparado ao carnaval dos desfiles que transformaram-se em grandes espetáculos. “É como nos times de futebol: você tem os times multimilionários e o povão torcendo”, disse.

Os bonecões encarnam o velho carnaval de rua e, deste ponto de vista, a pernambucana Olinda é imbatível. Lá o primeiro bonecão foi o Homem da Meia Noite, que existe desde 1932, com seu dente de ouro, seu terno verde, sua cartola e o relógio no braço onde a marca do tempo parou exatamente à meia noite. Ele desfila na noite do sábado de carnaval.

Somente em 1967 apareceu a Mulher do Dia para ser sua companheira, vestida de amarelo e azul em homenagem a Iemanjá e Oxum. O resultado foi o Menino da Tarde, filho do casal, que surgiu em 1974 e, depois, a Menina da Tarde, de 1977. Neste ano, o carnaval de Olinda ganhou a marca popular que o caracteriza. Lá não tem comissão julgadora, passarela nem palanque das autoridades. Nem venda de abadas – é só sair e dançar! É o “Carnaval Participação” que arrasta quase dois milhões de foliões, do Brasil e do mundo, no ritmo do frevo e do maracatu, que seguem os mais de XXX bonecões que fazem a fama do carnaval olindense.

Com informações da Agência Brasil

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