Câncer: novos remédios e terapias pautam encontro de oncologistas

Publicado em domingo, maio 22, 2011 ·

medicoEntre os dias 4 e 8 de junho ocorre em Chicago, nos Estados Unidos, a edição anual do encontro da ASCO (American Society of Clinical Oncology). Serão 30 mil oncologistas e especialistas debatendo avanços e estudos sobre o câncer. Em São Paulo, antes do embarque dos médicos brasileiros para o evento, foi realizado nesta sexta-feira (20) o Pré-ASCO, uma prévia do que será debatido no evento oficial.

O principal tema abordado este ano é o melanoma, um câncer que surge na pele. Medicamentos como o Yervoy (ipilimumab), que foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) em março, estão ajudando no tratamento do diagnóstico avançado da doença e podem ser de grande valia, segundo analisou o chefe do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José, Antônio Carlos Buzaid. “Esse é o ano do melanoma na ASCO e alguns medicamentos, como o Yervoy, que aumenta o sistema imunitário do paciente, pode gerar uma sobrevida maior nesse tipo de câncer que pode ser tão perigoso”, disse.

Outro medicamento importante e que será debatido na ASCO é o Crizotinibe, que ainda está em estudos e promete ser uma nova arma contra um tipo raro de tumor de pulmão, conhecido como câncer de pulmão de células não pequenas, ou NSCLC. Nesse tipo de câncer, uma alteração genética específica chamada EML4-ALK pode ocorrer e o Crizotinibe promete combater esta evolução do tumor.

Essa mutação ocorre entre 3% e 5% dos pacientes que possuem o câncer de pulmão de células não-pequenas e é mais comum em pessoas não fumantes. Sobre a importância da nova droga, o oncologista Antônio Buzaid lembrou de um de seus pacientes que foi salvo pelo uso do medicamento. “Eu tive um paciente de 40 anos, que estava literalmente morrendo e teve essa mutação específica para não fumantes. Ele foi para Boston, nos Estados Unidos, tomou esta medicação que é oral e voltou para o Brasil melhor, voltou a trabalhar e toca a vida normalmente. Hoje ele já consegue receber o medicamento aqui no Brasil mesmo”, falou o médico.

Para Antônio Buzaid, que estará na ASCO, apesar se ser uma promessa interessante, infelizmente o medicamento não irá curar todas as pessoas com este tipo de mutação. “Teve uma outra paciente que estava no limite, chequei a mutação e vi que era compatível. Consegui trazer a droga, mas acabei perdendo esta paciente por causa de uma infecção posterior”, disse.

A boa notícia que pode chegar após o congresso é a melhor sintonia entre um novo tipo de tratamento chamado de terapia-alvo e a própria quimioterapia. A terapia-alvo nada mais é do que um tratamento específico, que monitora o tipo e os possíveis subtipos de câncer as variações ele pode sofrer. A terapia alvo impede estas mutações, impedindo a evolução do tumor.

“Imagine o câncer como um navio de guerra. Se você bombardeá-lo, como é feito na quimioterapia, ele pode ser afetado, mas se ele tiver bons marinheiros, estes poderão consertar o casco e fazer com que o navio flutue. A terapia-alvo funciona como uma bomba de gás venenosa que aniquila os marinheiros e, depois, a quimioterapia bombardeia este navio que, sem a possibilidade de reconstrução, inevitavelmente afundará”, comparou o médico.

A Pré-ASCO foi promovida pela Pfizer e recebeu cerca de 120 profissionais médicos e pesquisadores.

Terra

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