Bananeiras na Academia

Publicado em domingo, dezembro 8, 2013 ·

 

artigoramalho

Abordei semana passada a presença dos nascidos em Bananeiras no comando da Paraíba. Foram quatro os governadores ali nascidos: Solon de Lucena, Odon Bezerra, Clovis Bezerra e Rivando Bezerra. Não pesquisei outras cidades para estabelecer a hegemonia, mas estamos em boa posição, sem dúvida.O tema de hoje, são os bananeirenses que tomaram assento na Academia Paraibana de Letras e alguns, patronos de cadeiras naquela  casa. O ultimo deles, cuja posse ocorreu ontem, é este escrevinhador nascido no Distrito de Borborema, depois desmembrado de Bananeiras, a partir de 1958.

O modelo da nossa Academia é o francês, com uma inovação, a partir da Academia Brasileira de Letras: a adoção de patronos para cada uma das suas cadeiras. São quarenta as cadeiras da APL e três delas, levam o nome de bananeirenses: Adolfo Cirne, processualista que dá nome à praça onde se situa a Faculdade de Direito do Recife, cuja cadeira é ocupada hoje pelo professor José Loureiro Lopes. Alcides Bezerra, historiador e filósofo,patrono da cadeira do escritor Osvaldo Trigueiro do Vale e Santos Estanislau, que faleceu no Pará onde foi desembargador,em cuja cadeira tem assento o confrade,meu vizinho nesta página,  jornalista Sitônio Pinto.

Nascido em Bananeiras, mais precisamente na Vila Maia, o mais antigo dos seus distritos, o professor e imortal Oscar de Castro foi o mais longevo presidente da Academia. Fui seu aluno de medicina legal e me lembro bem da sua aula sobre desvirginamento. Esse detalhe ficou gravado:o exame de defloramento se faz com os olhos e não com os dedos…As coleguinhas costumavam corar ao ouvir essa explicação do velho e querido professor que também foi um dos fundadores da nossa Faculdade de Medicina.Hoje Oscar de Castro é o patrono do Espaço Cultural de Bananeiras, construído na gestão da prefeita Marta Ramalho com reforço financeiro do governo Cássio Cunha Lima

Ainda ocuparam cadeira na Academia de Letras o folclorista Francisco Coutinho e seu filho, Edilberto Coutinho, ambos da família Cirne e por certo parentes do Adolfo e Celso Cirne,este cunhado de Sólon de Lucena.O monsenhor Pedro Anísio que foi um dos fundadores do famoso Instituto Bananeirense, única escola interiorana que dispensava a corrida logo cedo para o Liceu Paraibano, é outro imortal da nossa APL. Essa escola chegou a ser dirigida por Pedro de Almeida, pai de outro acadêmico bananeirense, Maurilio de Almeida, segundo ocupante da cadeira numero sete, cujo ultimo titular foi Dorgival Terceiro Neto. Maurilio também pertenceu ao Instituto Histórico e a Academia Paraibana de Medicina. Descende do Barão de Araruna.

Nascido no antigo Distrito de Moreno depois separado de Bananeiras com o nome de Solânea, é Manoel Batista de Medeiros, também advogado, professor e ex-presidente da APL. Uma única mulher nascida naquele brejo, apesar de criada em Araruna, Angela Bezerra de Castro completa a constelação de ilustres bananeirenses na Academia de Letras. Contando com o meu modesto nome e o do escritor Manoel Batista de Medeiros, que nascemos na grande Bananeiras, somos oito os bananeirenses que já passaram ou permanecem ainda no rol dos imortais. Falei em imortais para lembrar que foi Olavo Bilac que carimbou essa imortalidade acadêmica ao proclamar que “somos imortais porque não temos onde cair mortos”.

Vivi ontem um momento inesquecível. Aquela foi a posse da minha vida. É  uma honra  juntar meu nome, sem estrela brilhante nem constante, ao de paraibanos tão ilustres e merecedores da imortalidade, mesmo que não pertencessem à APL. Suceder  a  Dorgival Terceiro Neto na cadeira que tem como patrono Artur Aquiles, o jornalista, e por onde passaram Coriolano Medeiros e Maurílio Almeida, já dá para morrer feliz. Como disse no meu discurso de posse, parafraseando Ulisses Guimarães: tive mais do que pedi, cheguei mais longe do que mereci.

 

 

RAMALHO LEITE

 

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