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Bactérias presentes no útero podem dificultar gravidez

Publicado em quinta-feira, abril 4, 2019 ·

Silenciosa, doença provocada pela ação de bactérias atrapalha a fixação do embrião

Especialistas descobriram que mulheres que passam por tentativas frustradas para engravidar podem sofrer com a ação dos conhecidos patógenos, que tornam o útero um ambiente difícil para a evolução da gravidez. No entanto, foram descobertos dois testes capazes de identificar quando existem bactérias nocivas na parte interna do órgão e qual a característica delas. Diante do resultado, é possível indicar a conduta apropriada e aumentar as chances de gravidez.

Segundo o especialista em reprodução humana assistida, Georges Fassolas, o útero, assim como qualquer cavidade do corpo, é povoado por bactérias que ajudam no funcionamento do órgão e por outras que atrapalham literalmente, provocando uma doença conhecida como endometrite crônica.

A infecção acontece na mucosa endometrial, ou seja, dentro do útero, onde o embrião precisa se fixar para que a gravidez evolua. De acordo com estudos recentes, a doença está presente em 40% das mulheres inférteis, 66% das mulheres com histórico de falhas de implantação e 57% das que sofrem com aborto de repetição.

Felizmente, há pouco tempo foram criados dois testes capazes de identificar a doença: ALICE (Análise de Infecção por Endometrite Crônica) e EMMA (Análise Metagenômica do Microbioma Endometrial), que são realizados apenas em pacientes que sofreram falha de implantação.

“Ainda não foi descoberto o que provoca o surgimento das bactérias ruins no útero, assim como ainda não se tem conhecimento sobre a função dos lactobacilos, as bactérias do bem, nesse órgão. Porém, acredita-se que a presença dos lactobacilos aumenta as chances de implantação”, explica Georges, que também é diretor da Clínica Vivitá.

O teste ALICE é capaz de identificar até nove patógenos responsáveis pela infecção na mucosa endometrial, como Mycoplasma, Ureaplasma, Enterobacteriaceae, Enterococcus, Streptococcus e Staphylococcus. Com o exame, é possível avaliar se o ambiente microbiano uterino está favorável à implantação do embrião. Caso o teste aponte a presença de bactérias nocivas, o médico é capaz de indicar o antibiótico específico para a solução do problema. Após a conduta, uma biópsia é feita para saber se o remédio teve a ação esperada.

Já o teste EMMA é capaz de identificar se o perfil das bactérias encontradas na mucosa endometrial é favorável à implantação do embrião. O teste permite saber se antes de tentar engravidar é necessário realizar um tratamento de infertilidade. “É possível identificar a população e a quantidade de lactobacilos. Se tiver quantidade inadequada, são aplicados óvulos vaginais de lactobacilos durante sete dias para melhorar a capacidade de fixação do embrião”, explica Fassolas.

Nos dois testes uma pequena amostra do tecido endometrial é coletada por biópsia, realizada no próprio consultório médico, sem necessidade de anestesia ou acompanhamento para a paciente. Os testes podem ser realizados em qualquer momento do ciclo menstrual. A única restrição é durante o ciclo menstrual.

Fassolas explica que outros fatores podem impedir que o embrião consiga se fixar no útero. “Não podemos pensar apenas que bactérias podem impedir o processo da gravidez. Existem outros fatores que também atrapalham, como trombofilia e fatores imunológicos, capazes de influenciar e diminuir a implantação dos embriões”, esclarece o médico.

Rose Oliveira

 

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