Autuori cita tradição do Vasco contra dificuldades: ‘Senti que não sou nada’

Publicado em sábado, março 23, 2013 ·

Autuori ao lado do presidente Roberto Dinamite(Foto: Janir Júnior)
Autuori ao lado do presidente Roberto Dinamite
(Foto: Janir Júnior)

Acompanhado da filha vascaína Camila, que, segundo René Simões, foi fundamental nas negociações, Paulo Autuori mostrou firmeza na primeira entrevista como treinador do Vasco. Ao lado de Ricardo Gomes, do diretor René Simões e do presidente Roberto Dinamite, o treinador citou a escolha do “melhor técnico do mundo” Pep Guardiola pelo Bayern de Munique, em detrimento de ofertas maiores de “times emergentes”, para explicar a razão de trabalhar em São Januário.

Com discurso forte contra o que chamou de “arrogância” da classe de treinadores no país, Autuori lembrou o exemplo de Elba de Pádua Lima, o Tim, que usava a simplicidade para treinar um time e, segundo ele, representava a essência de um técnico de futebol. A citação ao falecido treinador, campeão carioca em 1970 pelo Vasco, serviu de explicação para ele assumir a missão de conduzir o clube de São Januário nesta temporada.

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– Confio nas pessoas e nas instituições. Hoje, quando entrei aqui, senti que não sou nada. Não considero um desafio. Quero acabar com essa imagem de arrogância da classe. Nenhum profissional, por mais vitorioso que seja, pode se comparar a instituições – disse.

O treinador lembrou da sua infância e da sua adolescência, em São Januário e no Maracanã, como torcedor do Vasco. E garante que a paixão nunca atrapalhou sua carreira.

– Falei isso quando estava no Flamengo. Sou profissional, mas dentro de mim bate o espírito amador. O dia em que perder isso, desculpa, eu vou ser um bosta. Conheço a história do Vasco, na minha infância e adolescência, eu estava sempre nos jogos acompanhando. Mas isso jamais limitou meus trabalhos nos clubes.

Hoje quando entrei aqui senti que não sou nada. Não considero um desafio. Quero acabar com essa imagem de arrogância da classe”
Paulo Autuori

Na apresentação, o presidente Roberto Dinamite disse que a chegada de Autuori significa mais um passo no processo de reformulação do clube. Exultante, o diretor René Simões citou frases do ex-pugilista Muhammad Ali e afirmou que a chegada de Paulo Autuori representa a realização de um sonho.

– Passamos uma mensagem: o Vasco não é um time de segunda linha. Esta é a grande mensagem que fica. E quero que isso chegue principalmente para os torcedores. Espero que o Paulo contagie a todos. Que ele seja um vírus e que o Gigante da Colina desperte de uma vez – declarou.

René ainda afirmou que não foram definidos valores e tempo de contrato com o técnico.

– Não sei o tempo de contrato, nem de valores, não discutimos isso. Pode perguntar para o Paulo.

Satisfeito por voltar a trabalhar no Brasil, Autuori reconheceu que espera dificuldades à frente do Vasco, que perdeu as duas partidas que disputou na Taça Rio até agora, porém transmitiu uma mensagem de confiança já na primeira conversa com os jogadores no vestiário de São Januário.

Passamos uma mensagem: o Vasco não é um time de segunda linha. Esta é a grande mensagem que fica. E quero que isso chegue principalmente para os torcedores”
René Simões

– Falei no vestiário: futebol te permite competir e, mesmo enfrentando adversários mais fortes, te permite ganhar. Não vou admitir abatimento, pois estou num clube vencedor, que foi pioneiro em abrir oportunidade contra o preconceito. Não podemos nos abater com críticas e pancadas. Vamos chegar às semifinais de novo, repetir o filme, mas temos que modificar o final. Esse foi o desafio já lançado hoje no vestiário.

Paulo Autuori pediu para não ser chamado de “professor” por qualquer pessoa dentro de São Januário, seja jogador, integrante da comissão técnica, dirigente ou funcionário.

– Pedi aos jogadores: não me chamem de professor, meu nome é Paulo.

Exigência do treinador, Ricardo Gomes continua no clube

Durante a entrevista, Roberto Dinamite confirmou a permanência de Ricardo Gomes. O diretor técnico afirmou que seu trabalho tende a seguir os mesmos moldes com a chegada de Autuori.

– Estou muito satisfeito de fazer parte dessa equipe. A parceria vai ser como foi com o Gaúcho, mas o Paulo não é o Gaúcho, o trabalho é diferente. O Gaúcho teve grande importância no Vasco. Conheci o Paulo, ele chegando ao Benfica, e eu tentando uma possibilidade de prolongar minha carreira como jogador.

Venho com muita vontade. Não poderia deixar de trabalhar com esse símbolo de vitória que é o Ricardo. Para todos nós, é uma satisfação estar ao lado de uma pessoa que simboliza a vitória, como desportista e como homem”
Paulo Autuori

Autuori, que condicionou sua vinda para o clube à permanência de Ricardo Gomes, rasgou elogios ao diretor técnico.

– Venho com muita vontade. Não poderia deixar de trabalhar com esse símbolo de vitória que é o Ricardo. Para todos nós, é uma satisfação estar ao lado de uma pessoa que simboliza a vitória, como desportista e como homem – afirmou o novo comandante vascaíno.

Antecessor de Autuori, Gaúcho foi lembrado em dois momentos da entrevista. O treinador destacou o “belo trabalho” do profissional demitido depois da derrota para o Nova Iguaçu, quarta-feira. Já o presidente Roberto Dinamite agradeceu o trabalho desenvolvido no início deste ano.

– Acima de qualquer coisa, o Gaúcho é um amigo, e vai ser assim até que eu saia dessa fase na Terra – afirmou Dinamite.

 

 

Globoesporte.com

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