As ondas de violência

Publicado em segunda-feira, agosto 8, 2016 ·

 

padre boscoCostuma-se dizer que violência sempre gera violência; também se afirma que toda ação gera uma reação. Isso nos leva a crer que em todos os acontecimentos existem causas e consequências.

A partir da realidade carcerária sempre se tem experiências de conflitos e de violência.

São Paulo e Rio de Janeiro, por causa da complexidade e do maior numero de presos, vez por outra se destacam diante dessa realidade. Ultimamente, isso se tem estendido para outros lugares. Para citar os últimos: Caruaru e Natal.

As causas da violência não são verdadeiramente apresentadas pelo estado. Divulga-se algo para dar satisfação à sociedade. Quem conhece por dentro o mundo do cárcere conhece também as causas mais profundas que geram essas situações.

Em Caruaru a situação se limitou para dentro da unidade com graves desdobramentos para os encarcerados. Em Natal, a situação foi para fora dos muros com graves e grandes proporções.

Já faz bastante tempo que se imaginava e previa algo assim por causa da grave situação prisional sobre a qual se tinha conhecimento. O estado fechou os olhos e se fez de indiferente. A pastoral carcerária acompanhou o crescimento exagerado do número de presos e tinha a convicção de que o estado estava caminhando para uma realidade inviável.

Agora acontece que a situação se tornou insustentável, o que o estado vai fazer? Trata-se de uma imensa crise. Agora o estado e toda sociedade norte-rio-grandense vai culpar os presídios, porem, se o estado também não rever a sua própria culpa e omissão, o problema se prolongará por muito tempo.

Chamar o exército numa situação de emergência é uma coisa, porem é necessário trabalhar as causas estruturantes, geradoras do problema. O exército não vai ficar a vida inteira em Natal. Também é impossível que em cada rua da cidade tenha uma dupla de policiais. E as outras cidades do estado? A paz, infelizmente, não depende da ação da policia, mas de uma cultura e de uma mentalidade que se estabelece no coração das pessoas e se propaga na vida.

A questão também é esta: não temos condições ou ignoramos a necessidade de um trabalho preventivo. Como se sabe, a droga é a causa principal (ela está na origem da criminalidade). Não se faz nenhum trabalho nessa direção. No século passado se ouvia falar em uma Secretaria Nacional Antidrogas em Brasília. Ao que tudo indica isso não existe mais. A situação se tem tonado insustentável. A droga cada vez mais se torna especializada e domina os espaços.

Quanto mais existirem ações violentas, mais a violência crescerá, seja da parte do estado enquanto instituição seja da parte da sociedade. Faz-se necessária a criação de espaços de dialogo e de escuta de cada situação.

A respeito do Rio Grande do Norte, o estrado já foi feito. Poderia ter sido evitado, sim, com as devidas precauções e medidas tomadas anteriormente.

O desejo principal é de que toda essa situação amenize o mais depressa possível. pebosco@yahoo.com.br

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