Apesar de avanços, 49 milhões de pessoas ainda são afetadas pela fome na América Latina

Publicado em sexta-feira, novembro 23, 2012 ·

 

Na manhã da quinta-feira (22), o subdiretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Raúl Benítez, divulgou em Santiago (Chile), o Panorama da Segurança Alimentar na América Latina e no Caribe 2012, documento que revela os números mais atualizados sobre a fome e a desnutrição nesta região, além de mostrar os avanços na luta contra estas problemáticas.

De acordo com a FAO, nas duas últimas décadas o número de pessoas subnutridas caiu em 16 milhões, cifra que reflete o esforço de alguns países para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Neste mesmo período, reduziu-se em 132 milhões o número de pessoas afetadas pela fome no planeta. Mas apesar deste avanço, 868 milhões de pessoas no mundo ainda sofrem com a fome, mostrando que os esforços de governos, organizações e sociedade estão sendo insuficientes.

Especificamente na América Latina, 49 milhões de pessoas são afetadas pela fome. Segundo a FAO, isto acontece não pela produção insuficiente ou falta de alimentos, mas se deve à falta de acesso aos alimentos por uma parcela da população que não tem renda suficiente para comprar o necessário para se alimentar e a suas famílias.

O relatório destaca como ponto principal que o crescimento econômico nos países latino-americanos não significou uma diminuição da vulnerabilidade de uma grande parte da população regional. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) dão conta que no último ano o número de pessoas abaixo da linha da pobreza aumentou. Ao mesmo tempo, FAO aponta que de 2006 para cá, apenas um milhão de pessoas deixaram de enfrentar a fome.

“O desempenho econômico da região significou um aumento da importância dos salários dentro da renda das famílias, ainda que em geral persistam grandes carências em relação às condições de emprego, tanto a respeito do nível dos salários como pela alta informalidade das relações de trabalho. A agricultura familiar, setor chave por sua capacidade de prover alimentos, tampouco foi suficientemente reconhecida e apoiada pelos governos neste período”, assinala o Panorama.

Dentro desta problemática, detectaram como desafio as ameaças e oportunidades que surgem com a alta nos preços dos alimentos e, em especial, o questionamento sobre até onde as estratégias de desenvolvimento dos países estão realmente voltadas para a integração de toda a população nos processos de crescimento econômico e distribuição dos produtos do desenvolvimento.

FAO destaca que os avanços na produção e na produtividade e o desenvolvimento comercial comprovam que, com as políticas apropriadas, é possível obter melhores resultados nas metas de diminuição da fome. A Organização também defende que a América Latina deve se impor como bloco e fazer jus ao seu peso na produção e comércio mundial de alimentos para influenciar na construção de mecanismos de governança da segurança alimentar e nutricional em escala mundial.

“É necessário reforçar o apoio às instâncias de integração política e econômica orientadas à segurança alimentar no âmbito regional”, manifesta o documento ao mesmo em que revela que a FAO defende e impulsiona a consolidação de legislação e institucionalidade relativa à segurança alimentar e nutricional nos países, assim como a melhora nos níveis de transparência e competência nos mercados agroalimentares domésticos.

Natasha Pitts / Adital

Comentários

Tags : , , , , , ,

REDES SOCIAIS













ARTICULISTAS
Ramalho Leite
Karlos Thotta
Padre Bosco





INSTAGRAM @focandoanoticia


Focando a Notícia - CNPJ: 11.289.729/0001-46
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br
(83) 99301.2627