Ameaçado, diretor da Abraji segue com sua família para local desconhecido

Publicado em quarta-feira, dezembro 19, 2012 ·

Mauri König, diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter da Gazeta do Povo, do Paraná, recebeu ameaça anônima informando que sua casa seria metralhada por policiais militares, informou a entidade, nessa terça-feira (18/12).Por segurança, ele e sua família deixaram a residência em Curitiba (PR). Eles estão em endereço desconhecido, sob proteção constante de seguranças contratados pelo jornal, que também ajudará o jornalista a deixar o estado.[bb]

Diferentes pessoas telefonaram ao jornal e fizeram ameaças diretas, além de alertas sobre ataques que estariam sendo planejados contra repórteres. König foi citado nominalmente.

Um jornalista da RPC TV, emissora do mesmo grupo da publicação, atendeu a uma das ligações. Um homem se identificou como policial militar e disse ter ouvido de colegas que, cinco policiais militares do Rio de Janeiro estariam em Curitiba para metralhar a casa de König após investigação conduzida por ele.

À IMPRENSA, a diretora de redação da Gazeta do Povo, Sandra Gonçalves, explicou que, após as ameaças todas as devidas providências de segurança foram tomadas. “Mas editorialmente não mudamos, nem vamos mudar nada”, afirma.Inimigo número 1 da Polícia Civil

Em maio, ele coordenou uma série de reportagens publicada na Gazeta do Povo sob o título “Polícia Fora da Lei”. Os textos revelaram, entre outras coisas, que agentes usavam viaturas da corporação para compromissos pessoais, como visitas a casas de prostituição em horário de expediente.
Na época, o blog policial da publicação recebeu comentários anônimos com ameaças aos jornalistas envolvidos na apuração. König foi descrito como “inimigo número 1 da Polícia Civil”.
Na última segunda (17/12), o jornal publicou novo texto sobre a corporação relatando uma possível promoção de agentes que estariam sendo investigados pelo uso de viaturas para fins pessoais.
Sandra explicou que esta reportagem é uma suíte da série de reportagens de maio. “Foi um fato pontual. Não uma série nova, ou continuação”, explica.
Além de König, mais duas pessoas da direção do jornal receberam ameaças nominais. As identidades não foram reveladas.
O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão que também é responsável pelo controle externo das polícias no Paraná, está investigando o caso.

A Abraji lamenta e condena as ameaças feitas contra seu diretor. A entidade cobra a apuração das intimidações contra König, que são ameaças à liberdade de expressão e à democracia. “Tentar calar um repórter é atentar contra o direito de saber de toda a sociedade”, finaliza a nota.

Jéssica Oliveira

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