Alemanha diz que referendo indicará se a Grécia quer ou não manter o euro

Publicado em quinta-feira, novembro 3, 2011 ·

merkel_304x171_afpOs líderes da França e da Alemanha, as duas maiores economias da zona do euro, anunciaram o bloqueio de ajuda à Grécia até que o país deixe claro sua política contra a crise.

O presidente francês Nicolas Sarkozy e a colega alemã não esconderam o desconforto com a decisão do governo grego de convocar um referendo sobre o plano de ajustes que havia sido acordado com a União Europeia na última semana.

Falando com a imprensa em Cannes, na véspera da cúpula do G20, Sarkozy e Merkel disseram que a próxima parcela de oito bilhões de euros do pacote de ajuda à Grécia não será liberada até a realização do referendo, previsto para 4 de dezembro.

Grécia se defende

Chamado às pressas para Cannes, no sul da França, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse que seu povo é “maduro, sábio e capaz de tomar a decisão correta para o futuro do país”.

A eventual vitória do não no referendo está sendo vista como a decisão dos gregos de abandonar a moeda única europeia.

Papandreou disse que a Grécia tem orgulho do euro, mas ressaltou o peso das medidas do ajuste.

O pacote de austeridade fechado com a União Europeia, que conseguiu junto aos credores privados a redução de 50% da dívida grega, foi celebrado inicialmente por Papandreou.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro grego anunciou, para surpresa das lideranças europeias, que o plano seria submetido à vontade popular.

Protesto na Grécia. GettyO ajuste rigoroso das contas gregas tem oposição de grande parte da população

O anúncio provocou turbulência nas bolsas internacionais, já que o pacote de ajuste é extremamente impopular na Grécia.

Ajuda dos emergentes

A possibilidade de ajuda das potências emergentes, sobretudo a China, à Europa será um dos pontos altos da cúpula do G20, que terá início oficialmente na quinta-feira.

Os europeus esperam que os emergentes invistam no chamado Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), cuja expansão dos atuais 440 bilhões de euros para um trilhão foi decidida na última semana.

O fundo poderia ajudar a mitigar crises de duas formas. Ao servir como uma espécie de seguradora aos bancos que comprarem papéis de dívidas de países em risco de calote. E ao criar um mecanismo especial de investimento, em parceria com o FMI, para atrair investidores estrangeiros privados e públicos e outros países, como Brasil e China.

Representantes dos países do grupo Brics (que reúne, além de Brasil e China, Rússia, Índia e África do Sul), já manifestaram a disposição em ajudar, mas afirmam que essa ajuda teria de ser canalizada por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional) e não diretamente ao FEEF.

Nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com o colega chinês, Hu Jintao, para discutir uma posição comum dos Brics em relação à crise europeia.

O alto grau de endividamento de países europeus como a Grécia, além de Itália, Portugal, Irlanda e Espanha, preocupa porque coloca em risco a estabilidade da moeda única europeia, o euro.

bbc

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