Ai dos pastores

Publicado em sexta-feira, setembro 2, 2016 ·

padre boscoComo a bíblia é um texto que serve de fundamento de reflexão para muitas pessoas, entre elas sobretudo católicos e evangélicos, além dos demais grupos e individualmente, começo esta reflexão com uma palavra do profeta Ezequiel: “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas? Ezequiel 34:1,2.

O profeta inicia apresentando o que é característico da profecia: quem profetiza não anuncia a própria palavra, por isso, tem a obrigação de dizer exclusivamente o que o Senhor lhe manda falar, por isso, a palavra profeta, quer dizer “boca do outro”.

O profeta é convidado a falar aos pastores num tom ameaçador, sobre o comportamento dos mesmos em relação ao seu povo, as ovelhas. A acusação feita pelo profeta, a pedido do próprio Deus é de que os pastores exploram e tiram proveito do rebanho.

Desta questão poderemos seguir duas linhas de reflexão:

A profecia, sempre presente na história do povo, trabalha com duas vertentes (anúncio de bem e denuncia do mal). A denúncia do mal sempre incomoda, uma vez que o mal existe não porque Deus queira, como alguns defendem e tentam justificar a realidade, mas o mal tem suas causas profundas na desigualdade social, econômica e política pratica por seres humanos. Quando a profecia faz a denúncia da situação é inevitável que determinadas pessoas se sintam atingidas e acomodadas, uma vez que elas são articuladores das injustiças que causam os males, que em contra partida trazem também vantagens a essas pessoas. Por isso mesmo que quem profetiza de verdade não deveria ser penalizado, pois, comunica uma mensagem que não é sua mas daquele que o envia. Quando os verdadeiros profetas/profetisas são atingidos pelos males é o próprio Deus que é atingido. Quem profetiza não pode fugir de sua missão.

Quantas vezes se reclama, se reprime e até de mata quem profetisa em nome da fé e da religião. Em Mateus 23,37, encontramos a expressão dita pelo próprio Jesus: “Ó Jerusalém, Jerusalém, que assassinas os profetas e apedrejas os que te são enviados”. Ele próprio foi vítima dessa trama das autoridades em Jerusalém. Não reclamemos dos profetas. A profecia é uma instituição em toda a história do povo e na tradição bíblica. Não se deve fechar os ouvidos diante da profecia mas se perguntar os motivos pelos quais profetas e profetisas estão falando.

Em segundo lugar, quem profetisa se dirige a quem governa, a quem administra, a quem cuida, a quem tem responsabilidades sobre os outros. Todos os pastores, de todas as igrejas precisam escutar os profetas que chamam a atenção para o que Deus está lhes falando. Todos os que governam: o executivo, o legislativo e o judiciário, precisam estar abertos para a profecia e não entende-la apenas como critica mas como luz que indica caminhos. Talvez a profecia precise ter o mesma tema ameaçador dos tempos bíblicos. Que isso não seja tomado como ofensa as autoridades. A verdadeira autoridade consiste em servir e, para servir melhor, precisamos ouvir a voz da profecia.

Nossos políticos precisam receber duras críticas dentro de uma lógica verdadeiramente profética. Não estariam eles com todas as mordomias, tirando proveito do rebanho? Além do mais, grande número sendo acusados de atos de corrupção. Não estariam precisando de duríssimas criticas para mudarem as suas condutas?

Isso serve para todas as instâncias de poder uma vez que as autoridades são sustentadas com os recursos do povo. Nenhuma autoridade deve existir em função de si própria.

pebosco@gmail.com

Acompanhe mais notícias do FN nas redes sociais: FacebookTwitterYoutube e Instagram

Entre em contato com a redação do FN:  WhatsApp (83) 99907-8550. 

E-mail: jornalismo@focandoanoticia.com.br

 

Comentários

Tags :

REDES SOCIAIS













ARTICULISTAS
Ramalho Leite
Karlos Thotta
Padre Bosco







Focando a Notícia -
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br
(83) 99301.2627