Por Batista de Andrade

Acordes que se calam

Publicado em segunda-feira, setembro 17, 2018 ·

Apesar de ser uma das mais antigas instituições de cunho associativista e cultural, a banda de música, ainda é pouco estudada no Brasil. Registros dão conta, que ainda no século XVIII com a multiplicação das irmandades cecilianas às quais os músicos geralmente se filiavam mantendo forte vínculo, se verificou a sedimentação da cultura popular assumindo dimensões históricas.

As organizações Cecilianas, herdeiras do sistema medieval de organização do trabalho, reconheciam a categoria dos músicos apoiando a expansão das obrigações além do âmbito da igreja, tanto no sentido social como no artístico, acrescentando, dentre outras as obrigações a de cunho assistencialista, que culminavam com contribuição de cada um. Era sem dúvidas o embrião do mutualismo, o pré-sindicalismo.

No inicio do século XIX, quando à propagação de músicos das milícias e nas igrejas deram-se soluções “modernas”, inspiradas nos modelos europeus. A chegada de D. João com a corte portuguesa, em 1808, propiciou mudanças qualitativas de grande repercussão em todo o Brasil. Em 1810 um decreto que determinava estabelecer em cada regimento um corpo de música composto de 12 a 16 executantes, foi primordial para a grande mudança. Quatro anos depois em 1814 começaram a espalhar-se nos quartéis o ensino e a prática de instrumentos mais atualizados.

Nos finais do século XIX e começo do século XX, as bandas de música começaram a se proliferar em quase todas as cidades brasileiras, tomando grande impulso a partir da República com a criação de entidades ligadas diretamente a sociedades, sindicatos de classe e fábricas.

No final dos anos 60 e inicio dos anos 70, as bandas sofreram grande revés, obrigando o governo federal a criar em 1.976 o programa ”bandas de música”, visando à preservação desse tão importante patrimônio cultural. O programa governamental apesar do pequeno orçamento continua funcionando.

Mais uma vez, nos deparamos com uma grande campanha silenciosa de desativação das corporações musicais. A insensibilidade bate as portas de alguns dirigentes municipais que relutam em defender e preservar a cultura popular.

Os coretos de hoje já não abrigam os músicos, as corporações cambaleiam e os acordes distorcidos como vozes roucas a pedem socorro aos poucos ouvidos que ainda restam.

Socorram as nossas bandas !!!

Batista de Andrade

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