A paz e a guerra

Publicado em quarta-feira, janeiro 18, 2017 ·

padre boscoO dia primeiro de janeiro é o dia mundial da paz. A cada ano podemos iniciá-lo nos debruçando sobre esse temática. Neste primeiro de janeiro de 2017, enquanto meditávamos sobre isso, acordamos atônitos com uma mega rebelião em Manaus. A imprensa divulgou um número de 56 presos mortos. Quem acompanha essas situações sabe que o número de mortos foi maior.

Esse fato trouxe a discussão para a imprensa e, mais uma vez, o Brasil se tornou manchete. As manifestações, como sempre, foram as mais diversas, sobretudo aquelas marcadas pelo ódio e pela violência; existem ainda muitas pessoas que não conseguem ou não querem entender que podem ser vítimas de semelhante situação e, mesmo assim, defendem a morte de pessoas marginalizadas e encarceradas. Esqueceram que desejar a morte ou fazer apologia ao crime é o mesmo que matar. Seguindo a linha de reflexão posta pela carta de São João, quem odeia o seu próximo é homicida. 1 carta de São João 3, 15.

A apologia ao crime que se fez diante deste fato e de outros semelhantes causa surpresas. Por traz das palavras está um espírito de ódio e de vingança sem precedentes numa clara cultura de morte. Até um secretário nacional do governo federal, do PMDB, se manifestou dizendo que tinha que matar mais, deixando claro que está institucionalizada, de fato, a cultura e morte, se ela não toca a própria pele.

Esta é primeira reflexão que faço neste ano a este respeito; era difícil refletir diante de tantas falas cruzadas, impensadas e contraditórias.

Os fatos profundamente lamentáveis apenas expõem o que está escondido do olhar da sociedade. Realmente a prisão para nada serve. Todas elas em todos os recantos do país estão superlotadas e, como tal, não se consegue trabalhar a pessoa que lá se encontra. Os falas sobre “ressocialização” se referem a alguma iniciativa que envolve um pequeno grupo de 50 pessoas onde estão 1000 pessoas detidas.

Não se consegue sair da prática do aprisionamento. Ela permanece sendo o caminho para o combate à violência quando é o contrário: quanto mais prisão mais se está alimentando um leque grande de várias formas de violência. Sendo verdade que a ordem para o massacre partiu de dentro de uma penitenciária já é suficiente para dizer que a prisão se presta a este serviço: é uma fábrica que gera violência.

Porque as prisões estão superlotadas? Já se fez essa leitura: se prende para investigar quando se deveria investigar para prender. Esse é um dos grandes problemas do sistema de justiça do nosso país. Uma pessoa é presa e depois de meses e mandada para a rua sem sentença alguma, exatamente por estes motivos: mantida presa sem investigação e presa sem fundamento algum, portanto, uma ação que deveria ser justa, se torna injusta. Acabou o princípio “in dubio pro reo”?

Sabe-se que a situação é muito difícil e até incontrolável em muitos estados, mesmo assim, é papel do estado cuidar da segurança e proteger vidas. Mortes de pessoas que estão sob a guarda do estado é da responsabilidade do mesmo.

Na realidade muita coisa precisa ser feita com a colaboração de toda sociedade sem esquecer que o sistema de justiça e o estado brasileiro são responsáveis por toda essa situação.

A sociedade não pode defender a violência contra si própria uma vez que todos podem ser vítima da violência que defende.

pebosco@yahoo.com.br

Comentários

Tags :

REDES SOCIAIS














INSTAGRAM @focandoanoticia


Focando a Notícia - CNPJ: 11.289.729/0001-46
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br
(83) 99301.2627