A última conspiração
Para quem não sabe - MAG é uma sigla formada pelas iniciais do nome do ex-deputado Manoel Alceu Gaudêncio de tradicional família caririzeira que já deu até senador. Onde hoje foi edificado o shopping,, existia uma ampla residência que somada ao espaço do Hotel Manaíra, deu lugar ao novo empreendimento. A Casa de Manezin, como era conhecida, foi sem duvida o cenário principal da ultima conspiração política que a Paraíba testemunhou.
Decorria
o ano de 1978 e os militares escolheram Tarcisio Burity para o cargo de
Governador da Paraíba contrariando amplo movimento popular que desejava a
ascensão de Antonio Mariz ao Palácio da Redenção, através da eleição
indireta.
A dissidência da Arena, da qual eu fazia parte juntamente com Manoel
Gaudêncio,
Edvaldo Motta, José Lacerda, Tarcisio Telino e Américo Maia, para só
falar nos
deputados estaduais, resolveu apoiar
Mariz no enfrentamento ao regime,
disputando no voto a indicação da Convenção da Arena. Para
que houvesse a concorrência foi preciso que
contássemos com o apoio decisivo de Waldir dos Santos Lima, Presidente
da Arena
e partícipe dos entendimentos que culminaram
com a escolha de Burity. Todavia, considerando-se traído pelo grupo
palaciano, Waldir
resolveu engrossar as nossas fileiras e aceitou ser candidato a vice na
chapa
de Mariz.
Outro
inesperado rebelde foi Ernani Satyro. Homem de confiança da chamada
revolução
de março, ex-lider de Costa e Silva e
ex-Ministro do Tribunal Militar, completou a
chapa disputando a vaga de Senador
Biônico, epíteto pejorativo com que premiaram os senadores sem voto
popular.
Nessa
conspiração contra a decisão do regime militar, João Agripino,
inicialmente,
desempenhou papel muito aquém do nosso desejo. Ao chegar à Paraíba, ao
invés de
aderir ao processo tentou a conciliação e lutou com todas as suas forças
para
demover Mariz do que ele chamava de suicídio político. Na ocasião, três
candidatos avulsos, digamos assim, resolveram enfrentar a decisão do
Planalto.
Um em Minas, outro em São Paulo (Maluf, vitorioso) e Mariz, na Paraíba.
Agripino dizia que todos seriam cassados após a realização das
convenções
arenistas. Queria salvar Mariz. Amigo do General Golbery do Couto e
Silva, suas
palavras impressionaram a todos nós que não desejávamos abrir mão da
permanência de Mariz na política da Paraíba. Faltava conseguir intimidar
Mariz,
uma tarefa impossível.
Aloísio
Afonso Campos ditou, eu escrevi e João
Agripino alterou o texto da renuncia de Mariz à disputa indireta. Para
se
chegar a essa solução negociamos que
o próprio Agripino fosse nosso candidato
ao Senado, na disputa direta. Guardei o
original desse documento, depois
publicado por Jório Machado em “Resistência ao Medo”. Decisão tomada,
fomos
todos para nossas casas. Acordei no começo da noite com um telefonema de
Mariz
que indagava:
-
Você divulgou a renúncia ? Respondi que não, apenas datilografara
o documento.
-
Não mostre a ninguém e vamos nos reunir às oito horas na Casa de
Manezim,
recomendou-me.
Cheguei
no horário. Muitos dos inconfidentes já
se encontravam acomodados e curiosos para saber a razão da convocação.
Aguardava-se a chegada de Mariz, que nos disse:
-
Fiz alguns contatos e tomei uma decisão. Não poderia jamais pedir votos
aos
paraibanos, se recuasse da disputa, com medo da cassação. Prefiro ser
cassado a
recuar por medo. Sou candidato e vou à convenção. Conto com vocês?
(Contou
! Inclusive com Agripino).
Nem
precisamos responder. Gritaria geral. Aplausos e abraços. Eu e Telino, a
quatro
mãos, nos encarregamos de rasgar a Carta Renuncia. A versão
datilografada, bem
entendido.
Desta
vez não precisamos esperar ansiosamente pela chegada de Ernani para que
Manezim
abrisse o seu melhor whisky.
Fomos
à convenção, perdemos por pouco, mas escrevemos um bom capítulo da
história recente
da Paraíba.








