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Articulista



                             Ramalho Leite - Bananeiras
                             Advogado, jornalista e escritor, ex-deputado federal
                             ramalholeite@uol.com.br




                                                                 


Me inclua fora

 

Quando leio os acontecimentos da política paraibana nos dias atuais, chego a conclusão de fiz muito bem em não tentar voltar a uma cadeira parlamentar. Aproveitei bem o meu tempo, dei a minha contribuição, por mais modesta que tenha sido e a encerrei com o advento da nova Constituição Estadual. Os tempos eram outros. O parlamentar era respeitado e o político estimado. Ao ocupar uma vaga  na Câmara Federal  já no pós-Collor, vivi o inicio da era da  deteriorização da imagem da classe.  Sempre que saia à rua, mesmo em Brasília, tinha a preocupação de retirar da lapela o broche que identifica o membro do Congresso Nacional. Em Fortaleza, era  diretor do Banco do Nordeste  e para facilitar o ingresso em um estacionamento oficial mostrei minha identidade parlamentar. O guarda olhou com desdém e comentou:


- Vocês tão levando os tubos...passa! Deveria estar se referindo aos subsídios dos parlamentares. Foi  a ultima vez que  exibi a carteirinha que tanto me orgulhou conquistá-la.


Vivi outros tempos. Era vice-lider do Governo Ivan Bichara. Antes de ir ao aeroporto recepcionar Antonio Mariz que anunciava uma dissidência contra a decisão do Planalto que escolhera Burity para governador indireto,  renunciei ao posto. A dissidência foi consumada e não houve pressão, aceno, vantagem oferecida que demovesse os nossos propósitos.Todos os deputados dissidentes permaneceram firmes até o final da disputa.E se vivia o auge do poder militar.

Os convencionais, mesmo confinados no Hotel Tropicana e arrebanhados em grupos para a convenção na AL, votaram com independência e perdemos por muito pouco. Essa posição me custou o mandato, reconquistado, porém, quatro anos depois.


Agora tudo mudou. Os apoios duram pouco e mudam com o vento. Basta que sopre uma melhor vantagem vindo de outra direção. As desculpas são as mais esfarrapadas. E às vezes, românticas. Se fala em namoro, noivado e casamento como  fases preparatórias da união política.  Mas basta uma das partes não concordar com o regime da comunhão de bens e o casamento se  desmancha.

O debate chega a ser impróprio para menores. Nas ofensas, até o reino animal é atingido. Os lindos tucanos são rejeitados  por macacos que pulam de galho em galho  e os inocentes bambi são usados como instrumento de ataque. Como hoje em dia sou um leão sem dentes, me incluam fora dessa arena.




RAMALHO LEITE


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