Me inclua fora
Quando leio os acontecimentos da política paraibana nos dias atuais, chego a conclusão de fiz muito bem em não tentar voltar a uma cadeira parlamentar. Aproveitei bem o meu tempo, dei a minha contribuição, por mais modesta que tenha sido e a encerrei com o advento da nova Constituição Estadual. Os tempos eram outros. O parlamentar era respeitado e o político estimado. Ao ocupar uma vaga na Câmara Federal já no pós-Collor, vivi o inicio da era da deteriorização da imagem da classe. Sempre que saia à rua, mesmo em Brasília, tinha a preocupação de retirar da lapela o broche que identifica o membro do Congresso Nacional. Em Fortaleza, era diretor do Banco do Nordeste e para facilitar o ingresso em um estacionamento oficial mostrei minha identidade parlamentar. O guarda olhou com desdém e comentou:
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Vocês tão levando os tubos...passa! Deveria estar se referindo aos
subsídios
dos parlamentares. Foi a ultima vez
que exibi a carteirinha que tanto me
orgulhou conquistá-la.
Vivi
outros tempos. Era vice-lider do Governo Ivan Bichara. Antes de ir ao
aeroporto
recepcionar Antonio Mariz que anunciava uma dissidência contra a decisão
do
Planalto que escolhera Burity para governador indireto, renunciei
ao posto. A dissidência foi consumada
e não houve pressão, aceno, vantagem oferecida que demovesse os nossos
propósitos.Todos os deputados dissidentes permaneceram firmes até o
final da
disputa.E se vivia o auge do poder militar.
Os convencionais, mesmo confinados no Hotel Tropicana e arrebanhados em grupos para a convenção na AL, votaram com independência e perdemos por muito pouco. Essa posição me custou o mandato, reconquistado, porém, quatro anos depois.
Agora
tudo mudou. Os apoios duram pouco e mudam com o vento. Basta que sopre
uma
melhor vantagem vindo de outra direção. As desculpas são as mais
esfarrapadas. E
às vezes, românticas. Se fala em namoro, noivado e casamento como fases preparatórias da união política. Mas
basta uma das partes não concordar com o
regime da comunhão de bens e o casamento se desmancha.
O debate chega a ser impróprio para menores. Nas ofensas, até o reino animal é atingido. Os lindos tucanos são rejeitados por macacos que pulam de galho em galho e os inocentes bambi são usados como instrumento de ataque. Como hoje em dia sou um leão sem dentes, me incluam fora dessa arena.








