




Fantasma aposentado
Na minha opinião as normas internas do Senado do Brasil facilitam a existência de servidores considerados “fantasmas”. Seriam aqueles que pelo parágrafo 2º. do art. 3º. da APS 002/2010 teem o direito de receber sua remuneração sob regime especial de freqüência. Alguns ilustres senadores marcam com um asterisco os nomes dos escolhidos que podem trabalhar no seu Gabinete em Brasília ou no Gabinete de Apoio nos Estado. Outros preferem mantê-los ocultos. Tudo isso, com a devida permissão da lei.
A partir dessa
facilidade legal
nasce a possibilidade não remota de um servidor graduado se aproveitar
de
escalões inferiores para auferir vantagens financeiras. Os fatos
recentemente
noticiados envolvendo o Gabinete do Senador Efraim Morais é uma prova
cabal do
que afirmo. Uma assessora com prestigio junto ao chefe indica duas
pessoas para
cargos comissionados, sob o pretexto da necessidade do serviço dessas
colaboradoras.
Efetuada a nomeação, a posse por procuração é apenas um detalhe nesse
emaranhado de concessões privadas
em uma instituição pública.
A responsável pela nomeação passa a
perceber os ganhos das nomeadas e a movimentar suas contas-salário,
conforme li
na declaração assinada pela autora da jiriquita.
Até ai a versão indica a ausência de responsabilidade direta
do titular do mandato e do gabinete, no desvio de conduta denunciado. A
sua
culpa talvez se resuma ao excesso de confiança na auxiliar
graduada que, quebrando esse ligame,
envolveu o Senador em um imbróglio de repercussão negativa a nível
nacional.
Por conta desses
acontecimentos
agucei a minha curiosidade e fui beber água na fonte. Para quem não
sabe, na
página do Senado na internet existe um Portal da Transparência e lá
estão relacionados
os comissionados de cada Gabinete. Sou paraibano e muito me interessa
saber
também quem são os Assistentes de Gabinetes dos outros mandatários da
nossa
representação congressual. Pense numa leitura esclarecedora....
Volto, pois, ao
início, quando
responsabilizei as normas internas da instituição pelos excessos dos
seus
inquilinos. Numa rápida leitura, sem qualquer investigação mais
demorada, pude
identificar nos outros vetustos
ambientes, sobrenomes ilustres que também batizam ministro de tribunal
superior, jornalistas dos mais “independentes” e famílias importantes da
sociedade paraibana. Se a Câmara dos Deputados abrisse também suas
entranhas à
visão do eleitor curioso, tenho certeza de que encontraríamos as mesmas
nomeações concedidas a paraibanos, pernambucanos ou gaúchos que nunca
conheceram qualquer das casas do Congresso.
Agora eu pergunto:
por que
somente o Senador Efraim deve pagar pelas liberalidades do sistema? O
Planalto
o tem como inimigo e não deseja sua volta à alta câmara desde que
presidiu a
CPI dos Bingos. É preciso derrubá-lo da
cadeira e sepultar suas pretensões de retorno, é a ordem lá de cima.
Quem não tiver
“fantasma” que
atire a primeira pedra. Eu conheço um que daqui a dois anos conquistará a
aposentadoria compulsória. Teremos, enfim, o primeiro fantasma
aposentado.





