Pastoral X Doutor Vital.
A Pastoral Carcerária do nosso Estado teve um grande privilegio: Conviver e aprender com o Dr. Vital do Rego. Quando nomeado para a Secretaria de Administração Penitenciária, ouvi, sem conhecê-lo ainda, que a escolha para aquela pasta tinha sido a melhor e a mais importante. Logo após, comecei a ouvir as suas posições nos Meios de Comunicação. Logo fui identificando alguém que tinha uma mentalidade diferente para lidar com o sistema penal. Um fato inusitado: Logo que Dr. Vital começou a visitar os presídios, deixou o número de seu celular com os apenados. Lembro-me de uma pessoa que não acreditou e me pediu para confirmar se, de fato, aquele número era mesmo do secretário. Jamais alguém faria isso, só quem realmente se dispõe a acompanhar de perto o que acontece nas prisões. Ao fazer isso, pediu que lhe comunicassem o que acontecesse de irregular naquela casa.
Em
uma das visitas, o Secretário Vital encontrou alguns apenados
reclamando de maus tratos que foram identificados por ele.
Imediatamente afastou a direção daquela unidade. Isso causou logo uma
insatisfação, já que a tortura era muito comum, idéia jamais partilhada
pelo Dr. Vital. Lamentavelmente ainda permanece em alguns a idéia de
que a prisão é lugar de castigo e não de recuperação do ser humano que
tem dívida com a sociedade.
Nos
momentos chamados de rebelião, que para ele eram momentos de manifestar
a resignação, é muito comum a tropa de choque invadir as prisões. Com
Dr. Vital, ele era o comandante e nunca foi necessário um tiro para
acabar uma manifestação. Ele tinha autoridade e, por isso, não era
necessário o autoritarismo.
O chamado “pente fino” tinha outro nome:
“operação de segurança”. Pente fino,
dizia ele, “é para piolho.”
A
Pastoral Carcerária acompanhou muito de perto aquele momento nas
prisões. Ele sempre me dizia: “fique perto de mim.” É claro que Dr.
Vital não necessitava da nossa presença. No seu pedido estava o desejo
de valorizar a presença da igreja nas prisões.
Acompanhamos
com ele o inicio de uma operação de segurança em um Presídio do estado,
que foi imediatamente suspensa por ele, que disse: “O comandante aqui
sou eu, retire as tropas.” Motivo: ao fazer a revista, alguns policiais
estavam quebrando objetos de uso pessoal de alguns apenados.
Nós,
da pastoral, somos um testemunho vivo de que é possível conciliar a
disciplina com a humanização, pois pudemos experimentar na prática, com
a presença de Dr. Vital na Secretaria de Administração penitenciária.
Ele hoje está sendo elogiado inclusive por aqueles que inclusive foram
os seus críticos pela sua coragem e ousadia. Quando alguém se lança na
prática do bem, não deve ser apenas elogiado, mas o seu exemplo
inspirador deve ser colocado em prática. Devemos ter a humildade para
aprender com os bons exemplos. Dr. Vital deixou um grande legado,
ninguém pode discordar com argumentos convincentes, sobretudo para a
humanização do sistema penal.









