Leitura dos fatos
Fazendo a leitura dos fatos é fácil perceber como o ser
humano e sobretudo as instituições sempre usam dois pesos
e duas medidas dependendo do interesse que está no jogo.
Todos nós nos lembramos do incêndio no presídio do
Róger em outubro de 2009. A pesquisa na internet apresenta
inúmeras informações, inclusive desencontradas. O
fato se tornou manchete nacional de gravíssima
repercussão. Todos os dias a imprensa noticiava a
situação e o número de mortos. Pude visitar as
dependências do hospital de trauma com o padre Guido e sou
testemunha da deplorável situação dos que se
encontravam a disposição da justiça e na
responsabilidade do estado. Sobre o numero de mortos houve depois uma
decisão, com toda certeza, de que não mais se divulgariam
os óbitos. Certamente alguém chegou à
conclusão que não seria interessante para o estado, do
ponto de vista político fazer aquela divulgação. A
moral da historia é que não se tem nenhuma
informação sobre o real numero de falecidos e muito menos
de quem foi a responsabilidade por aquela situação.
Diante de outro fato sem nenhuma vitima nos deparamos com outro comportamento.
Também nos recordamos de uma fuga no PB 1 no dia 24 de
março de 2010. Em primeiro lugar, parece que tinha sido uma fuga
em massa.
É claro que fuga é falta grave na Lei. Mesmo assim,
qualquer pessoa presa se tem a oportunidade, sobretudo quando compra a
fuga, vai tentar voltar à liberdade.
Foi uma tempestade sem proporções para punir os
responsáveis. No fim da historia sobrou para um policial que
ficou indiciado. Não estou dizendo se o mesmo é culpado
ou não. A questão está na diferença de
atitudes entre as duas situações. A última
Põe em evidencia a “segurança do estado”. A
segunda é sem importância. “Temos menos bandidos
já que ‘bandido bom é bandido morto”. O
problema se agrava quando entre os bandidos estão os nossos mais
próximos pelos laços familiares. Normalmente muda o nosso
discurso.
Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
Pe Bosco