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Articulista


                         Padre Bosco,
                         Coordenador da Pastoral Carcerária no Estado da Paraíba







                                                             

Somos Iguais?

 

Em nossa Constituição Federal, como também nos Tratados Internacionais, todos os seres humanos são iguais. Até ai nenhuma novidade. Antes mesmo de todas as leis e constituições, somos, pelo direito natural e diante de Deus, iguais em direitos, deveres e dignidade.


A grande questão é que de direito tudo está correto, mas de fato a realidade difere em todos os âmbitos dos princípios legais e constitucionais
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É claro que já tivemos mudanças significativas na historia da humanidade e também em nosso país, no entanto, temos que realizar ainda muitas conquistas no plano das relações sociais, econômicas e politicas
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Por mais que se chegue a argumentar o contrario, ainda vivemos no país das desigualdades, do preconceito e do racismo
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Em São Paulo, no estacionamento de um supermercado famoso um negro no estacionamento. O seu carro disparou o alarme. Os seguranças se aproximaram e o negro passou por uma difícil situação. Foi levado para uma sala reservada para prisão e tortura, comum em supermercados. Até conseguir provar que o carro era seu foi uma luta. Por sorte, havia um carnê de pagamento do veiculo que estava em seu nome. Ele foi duramente espancado pelos seguranças e depois pela policia. (O motoboy matado pela policia em São Paulo também era negro ou não?)
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É comum se dizer que “negro não presta. Que negro só vai no pau.” Esta é a mentalidade de uma falsa  cultura que nós herdamos e ainda alimentamos
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Para lembrar mais um episodio também de São Paulo; um padre negro não contava mais o numero de vezes que tinha sido abordado e preso pela policia só pelo fato de ser negro
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Imagine que em nossos presídios temos um grande contingente de negros, onde, sem duvida, o  tratamento passa a ser ainda mais conduzido na base da discriminação e do preconceito, sobretudo porque o negro é pobre
.

 
Moral da historia: negro é sempre suspeito e não tem o direito de possuir o que os brancos podem possuir. Mesmo assim, continuamos dizendo que vivemos em um país sem preconceito
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Além do problema do povo negro, com quem o Brasil tem uma imensa divida, que não pode ser paga apenas com cotas na universidade, temos a grave situação das mulheres vitimas da violência e da prostituição, como também, a questão das pessoas excluídas por causa de suas opções sexuais. Não são apenas vitimas de preconceito, mas assassinadas. Percebe-se, assim, uma clara tendência para a exclusão de pobres, negros, mulheres, sobretudo quando fazem parte de grupos “anormais” para esta nossa sociedade que discrimina e mata como se nenhum crime tivesse praticando
.


Como nós hipócritas!!!!!

 

 

PE Bosco



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