




Combater a Tortura
Nos dias quatro e cinco de maio de 2010, participei, a convite da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da Republica, de um Seminário Nacional sobre Tortura. Éramos sessenta pessoas de todo o Brasil. Da Paraíba éramos três representantes da sociedade civil.
O Seminário aconteceu na
Universidade de Brasília e em parceria com a mesma. O evento foi
amplamente divulgado na internet e transmitido ao vivo por canal de
televisão.
Os participantes, todos
ligados a grupos de defesa dos direitos humanos, conselhos e comitês.
Sem contar que entre o grupo os de mais idade foram presos durante os
anos da ditadura militar: período mais covarde de nossa historia.
A grande preocupação da
Secretaria Especial de Direitos Humanos é fazer uma ampla campanha
contra a tortura por se tratar de um crime grave: Hediondo, contra a
humanidade, inafiançável, praticado pelo estado brasileiro, por ser
praticado por seus agentes, por ocasião das prisões, nas delegacias ou
nas prisões. É claro que a pessoa que tortura deve ser identificada e
punida, no entanto, diante de crimes de repercussão internacional, o
estado brasileiro é condenado por participar dos pactos internacionais
se comprometendo a combater a tortura e os tratamentos cruéis e
desumanos e não fazer a sua parte.
Durante o Seminário se
chegou a afirmar que a tortura do passado é a mesma de hoje, com o
consentimento e a conivência das autoridades. ”Nunca se matou tanto,
nunca de prendeu tanto, nunca se torturou tanto como nos dias de hoje”.
Esta frase foi citada no Seminário com aplauso da platéia que ficou com o
compromisso de fazer uma grande rede para colocar em comum as situações
graves de tortura e buscar juntos os caminhos alternativos.
Como foi partilhado no
Seminário, o estado com o seu aparelho repressor não pode praticar um
crime maior do que aquele que o mesmo está querendo combater: isso
acontece com freqüência. Mesmo assim, temos ainda pessoas em nossos
estados que pensam ser possível enganar a população dizendo que não há
tortura nas unidades prisionais e delegacias. Ninguém pode impedir o sol
com uma peneira, já diz o velho ditado popular.
Qual é a recomendação da
Secretaria e do Ministro Paulo Vannuchi?
A tortura tem que
ser denunciada em todas as instancias: No plano local, no plano
estadual, nacional e internacional com a finalidade de combatê-la. Este é
um compromisso do Seminário, isto é, dos 60 participantes, como também é
um compromisso da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Ninguém pode
ficar omisso, em silencio. A omissão gera a impunidade e a mesma
incentiva a pratica de outros crimes. Se alguém tem medo de fazer a
denuncia, faça com que ela chegue através de outras pessoas a quem de
direito. O que jamais poderemos fazer é deixar reinar a lei do silencio.
PE Bosco





