A primeira mudança que ocorreu com pessoas, que estar registrado na história, aconteceu
há muitos anos atrás, quando o Homem teve que sair do jardim do Éden.
Essa mudança trouxe muitos problemas para eles, pois estes tiveram que
se adaptar a uma nova vida totalmente diferente do que estavam
acostumados a viver.
Atualmente,
a mudança, é um dos elementos mais importante do sucesso do
gerenciamento. Para ter competitividade em mercados cada vez mais
agressivos, empresas e profissionais necessitam estar abertos ao novo,
ou seja, precisam estar sempre em processo de mudança, se antecipando
aos concorrentes, identificando tendências, em fim, promovendo
modificações vitais para o desenvolvimento da organização.
Um
processo de mudança é sempre doloroso, pois implica em redirecionar
constantemente frente ao contexto, a visão, valores e comportamento dos
indivíduos.
Compreender
o processo de mudança aumenta a consciência individual sobre esse
processo, refletindo-se no desempenho individual e gerencial
possibilitando a sua explicação e compreensão. As palavras explicação e
compreensão devem ser esclarecidas. Explicar parte do caso geral
utilizando uma teoria científica como base de sustentação, para
argumentar sobre a questão, ou seja, é fazer ciência.
Por
outro lado, o indivíduo que ouve a explicação necessita compreendê-la.
A explicação ouvida se reflete no caso singular do ouvinte que utiliza
seus conhecimentos e experiências para avaliar, comparar e validar o
conteúdo. Se o conteúdo expressado não agregar significado a sua
experiência e necessidades pessoais e organizacionais, ele não o
compreende, pois, não promove significação e validade. O ato de
explicar é fazer ciência, enquanto que compreender é fazer arte. Esta
ação perpassa tanto pela via da razão, como da emoção.
Desse
modo, a explicação e compreensão da gestão de mudanças levam a refletir
sobre quem deve promovê-las? O gerente? Mas, quem é o gerente? Segundo
Adizes (1997) a explicação e compreensão da palavra gerente ou
gerenciar não é universal. Nos idiomas como o, francês, servo-croata,
americano e brasileiro pode significar dirigir, liderar ou administrar.
Já no espanhol significa manejar ou manusear. Em certos países não é
permitido o processo gerencial como o entendido por nós, sendo proibido
o seu ensino. Na Iugoslávia decisões unilaterais de um gerente podem
levá-lo a ser processado criminalmente. Em Israel, o gerente de um kibbutz é
eleito periodicamente para não haver continuidade de cargos. Além
disso, existem outros sinônimos intrigantes tais como: dominar,
governar, motivar, manipular.
Nesta
concepção, gerenciar pressupõe ato unilateral, onde o gerente diz ao
seu colaborador o que fazer, ou seja, o gerente é superior e o
colaborador é inferior ou subjugado. Apesar de isso ser um tanto
perturbador, cabe destacar que o processo gerencial não é isento de
valores. O processo gerencial é ciência (razão), arte (emoção) e
política (valores e interesses culturais). Gerenciar então perpassa
pela sutil manipulação do ato de liderar, bem como levar os seguidores
a obedecer ou a fazer o que o líder deseja. Por isso que, em alguns
setores, a palavra gerenciar é compreendida de forma pejorativa.
Desse
modo, Drucker (1999) acredita que ao ressaltar um contexto de alta
complexidade e velocidade de mudanças, a gestão das organizações
diverge da gestão de 15 anos atrás. A nova realidade, que se renova a
cada dia, necessita que os indivíduos nas organizações, em todos os
níveis, desenvolvam e incorporem como prática diária a gestão de
mudanças, já que é comum a crítica que se faz ao atual status quo.
A gestão de mudanças implica em descobrir como o conhecimento é criado
na organização e como ele se refletem em seus produtos, serviços e nas
pessoas. E, essa descoberta não é simples e nem isenta de algum
desconforto, já é notório que existe sofrimento nas organizações,
principalmente quando se trata de algum tipo de mudança, pois fazem
parte da nossa existência e condição humana. Entretanto, esta ação pode
ser conduzida de forma menos sofrível possível.
A ação de gerenciar está impregnada de um discurso de como deve ser,
enquanto que a implementação deste discurso reforça a distância entre o
saber do gerente e o fazer dos subordinados. A alternativa aqui
proposta, do princípio que a aprendizagem, o saber, o fazer, o
engajamento e os modismos em busca dessa tal gerência eficaz, perpassam
pela relação de compartilhamento de responsabilidades, onde todas as
pessoas nas organizações exercem a gerência de suas atividades e,
frente às elas, possuem autoridade e responsabilidades.