2014, impressões iniciais: a queda de Eduardo Campos e Marina Silva

Publicado em sexta-feira, novembro 22, 2013 ·

marina e eduardoA última pesquisa IBOPE de intenção de voto para a presidência indica vitória de Dilma Rousseff em primeiro turno em todos os cenários, além de ampla margem contra os principais postulantes em segundo turno. Não obstante, alteração apenas marginal ocorreu na avaliação positiva do governo e na taxa de aprovação da presidenta no exercício do mandato.

Qual fator contribuiu para aquela mudança, esta sim, mais significativa, nas chances eleitorais dos candidatos? Salvo melhor juízo, nenhum veículo da grande imprensa falada ou escrita conferiu a devida ênfase, ma mas o que de fato explica o novo cenário é a queda relevante no apoio a Eduardo Campos e Marina Silva.

Vejam que não apenas a vantagem no apoio a Dilma se elevou em alguns cenários, mas também, e de forma até certo ponto surpreendente, o nível de rejeição aos candidatos psbista e redista se eleva para muito além da margem de erro.

A análise dos candidatos sobre os resultados ressalta, é claro, o fator que pode lhe render bons argumentos na captação de apoios e financiadores. Na mesma pesquisa, os respondentes, em sua maioria, sinalizam o desejo de mudanças, alterações de rota a serem realizadas pelo governo a ser eleito em 2014. E foi nesta linha, por exemplo, que as informações do IBOPE acabaram sendo comemoradas por Aécio Neves. Mas deixando de lado o viés político, qual a leitura que devemos fazer do quadro resultante desta última sondagem?
De um lado, a presidenta continua favorita, com sua aprovação e margem de vantagem se ampliando contra os demais possíveis candidatos, de outro, um aparente sentimento mudancista prevalecendo na população num contexto, contudo, no qual a grande novidade no cenário (uma eventual junção de Marina com Eduardo Campos) perde força entre aqueles que os apoiariam, além de ver sua rejeição aumentada.

Num país com tantos e tão graves problemas sociais, estranho seria se encontrássemos um sentimento de que tudo vai bem, não sendo nenhuma mudança tida como necessária. A esta altura é importante distinguir sentimento em favor de mudanças de sentimento oposicionista. Em tese, nada impede que se cultive um desejo em favor de mudanças e considerar o governo da vez como o mais bem preparado ator político para conduzi-las.

O ponto político central é saber qual dos candidatos apresentados ao público pelos partidos até o momento aparece como melhor credenciado para operar tais mudanças. Na média das opiniões, tal candidatura possui nome e endereço: Dilma Rousseff. Por óbvio, o cenário seria bastante distinto caso prevalecesse entre os eleitores um sentimento oposicionista – neste caso, certamente algum candidato da oposição, muito provavelmente do PSDB, por ser identificado como a contrapartida ao PT, estaria em elevação nas intenções de voto.

É preciso ter calma e frieza para entender os motivos pelos quais o sentimento de mudança não esteja se transformando num sentimento oposicionista mais consistente. A começar pelos números da economia: embora o crescimento não seja robusto, não se vê decréscimo nas taxas de emprego e renda, além de não ter havido algo que foi amplamente alardeado pela oposição e mídia anti-petista: o descontrole inflacionário.

No âmbito social, depois das manifestações de junho, o governo agiu em diversas frentes, sobretudo na saúde, com o programa “Mais Médicos”, mas também na educação com aprovação de parte dos royalties do pré-sal para o financiamento do ensino básico e algumas iniciativas na questão da mobilidade urbana. Pode ser pouco até 2014, mas certamente o eleitor percebe que não está diante de um governo passivo. E resta saber também se os conflitos internos à coalizão dilmista não acabarão fragilizando a candidatura à reeleição diante de um cenário muito duro que se avizinha, com Copa do Mundo, protestos e o desespero dos derrotados no âmbito político, societal e midiático.

Singela e importante mensagem está sendo dada pelo cidadão brasileiro. Depois de um grande alarido em torno da decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB de Eduardo Campos e dos passos firmes deste em se tornar oposição ao governo do qual sempre fez parte, o eleitor pensou, refletiu e decidiu. Decidiu que não gostou.
Razões, podemos elencar várias, mas a realidade, tal como posta no momento, é esta: a coalizão PSB/REDE não é vista como opção consistente. Talvez a sinalização seja mais ampla – não é especificamente a junção de Campos e Marina o que incomoda, mas sim o que de aventura e oportunista encontra-se implícito na operação. A percepção de aventura e inconsistência pode demorar a aparecer, mas depois de tantas eleições e experiências políticas coletivas, o óbvio se desnudará para todos.

 

 

cartamaior

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