14% dos jovens têm sintomas de depressão e viram presas fáceis para jogo da ‘baleia azul’

Publicado em quarta-feira, abril 19, 2017 · Comments 

jogo-da-baleia-azul-1A internet já está mais do que consolidada como uma ferramenta essencial na vida das pessoas, mas ela esconde perigos que podem ter consequências gravíssimas. É o caso do famoso jogo “baleia azul”, que é realizado através de grupos do WhatsApp e do Facebook em que as crianças teriam que passar por vários estágios, comandado por uma pessoa que dá as ordens e anuncia as tarefas a serem cumpridas pelo jogador. No último estágio desse jogo o participante teria que tirar a própria vida. Na maioria dos casos já registrados, os participantes são crianças e adolescentes, que talvez alvos dos problemas desta faixa etária, são as principais vítimas.

De acordo com a psicopedagoga e professora da Universidade Federal da Paraíba, Mônica Dias Palitot, o fato de o jogo atrair principalmente os adolescentes, se deve a questão de que nessa fase, muitos dos jovens apresentam problemas emocionais. “Esse jogo, digamos assim, que atrai principalmente os jovens, e os adolescentes. É uma fase de transição. É uma fase de mudanças, não só no aspecto físico, hormonal, mas também emocional. Nós temos uma média estatística de 10% a 14% dos adolescentes com sintomas de depressão”, afirmou.

Segundo ela, outro problema está no fato de que os pais muitas vezes não estão atentos, ou tratam como naturais algumas atitudes diferentes dos filhos, atribuindo ao fato de serem problemas da idade.

“Muitas vezes esses sintomas não são percebidos principalmente pela família, porque são tidos como características da fase dos adolescentes, que é o retraimento, a timidez, uma certa tristeza, e hoje com essa tecnologia que leva as pessoas a se isolarem ainda mais, esses sintomas acabam sendo ainda mais comuns, tido como normais”, disse.

E complementa dizendo que a busca desses jogos, seja talvez um escape para os jovens que se vêem incompreendidos até mesmo dentro da própria casa. “E ai é onde entra esse jogo tão temido, que v põe sua vida em risco, e atrai esses jovens que estão isolados na sua tristeza, e que de repente se vêem atraídos por uma possibilidade de ter pessoas assim como eles, que estão oferecendo quem sabe uma via de escape para esses momentos que eles estão vivendo, eles se identificam com esse grupo porque supõe que essas pessoas possuem a mesma visão de mundo que eles e que pode ser uma saída daquele sentimento, e isso infelizmente vem se alastrando porque as famílias não estão atentas aos seus filhos”, disse.

Responsabilidade dos pais

A psicopedagoga alertou que os pais precisam ser mais responsáveis no controle e fiscalização do que os filhos acessam nas redes sociais. “O quê que acontece com essa geração atual de pais e mães? Eu costumo dizer aos meus alunos que antes de tudo nós somos pais, nós não temos que ser coleguinhas dos nossos filhos. Nós temos que ser pais e mães. E isso nos coloca em uma situação de obrigação, nós temos a obrigação de saber com quem nossos filhos estão se relacionando, com quem eles estão falando em grupos de whatsapp, em redes sociais, porque eu preciso protegê-los”, alertou.

A professora explicou os sinais que os pais devem estar atentos. “E aí um jovem que acorda todos os dias de madrugada para entrar no computador, para entrar naquela rede, para obedecer a determinada coisa enquanto os pais estão dormindo. Se na surdina da madrugada, no silêncio da noite, seu filho acorda duas, três horas da manhã para assistir filme de terror, você tem que estar atento a isso, você tem que levantar, tem que desligar e mandar dormir mesmo, tira o computador do quarto, tira aquela via de acesso”, enfatiza Mônica Dias.

De acordo com a psicopedagoga, se os pais observarem comportamentos diferentes nos filhos a saída é sempre um bom diálogo, mas sempre impondo alguns limites. “E se você observar um comportamento diferente converse com seus filho, dialogue, mas também coloque limites, tem que existir limite. O limite também é uma forma de se demonstrar amor, porque você demonstra cuidado e essa permissividade que é dada aos adolescentes, eles não se sentem vistos dentro da própria família. É inverso, os pais pensam que dando essa liberdade eles estão demonstrando amor”, explicou.

Mônica também faz menção ao fato de muitos pais passarem algumas responsabilidades para a escola. “Eu falo muito também com relação à escola, a família está colocando para a escola responsabilidades que são dela. A escola é parceira, ela trabalha em conjunto, ela não é para fazer o papel da família, ela tem a responsabilidade da educação conteudista, de formação do cidadão, mas não cabe a ela a principio, isso cabe a família”, ressaltou.

A especialista também faz uma alerta aos pais e responsáveis no sentido de que é preciso entender também os problemas que acometem os jovens da atualidade.  “Temos que começar a olhar para os nossos filhos, para os nossos jovens, a dar atenção, a entender que um pedido de socorro não é um querer aparecer porque é adolescente, mas realmente é um pedido de socorro, um pedido de ajuda. Então é importante a família se reunir”, falou.

E acrescenta que procurar especialistas também pode ser uma saída no caso de eventualmente os pais descobrirem que o filho está neste tipo de jogo. ”Procurar ajuda psicológica, levar para uma equipe multiprofissional e procurar a escola também. De repente a escola é o núcleo que está tendo aquele grupo de pessoas que também estão passando pela mesma situação. Então os professores precisam ser trabalhados para identificar isso nos estudantes, se há uma mudança de comportamento daquela pessoa para que ela também possa fazer esse papel de prevenção. E ai se a família não se sentir preparada para trabalhar isso sozinha com seu filho, buscar ajuda, como uma terapia, ou se for o caso procurar um psiquiatra”, finalizou.]

Francisco Varela Neto

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